Um levantamento realizado pela AARP, organização que representa milhões de aposentados nos Estados Unidos, indica que a população com mais de 50 anos tem incorporado a tecnologia de forma significativa em seu cotidiano. A pesquisa, divulgada em janeiro de 2023, entrevistou cerca de 3 mil pessoas entre setembro e outubro de 2022, revelando que 80% dos participantes consideram a tecnologia indispensável em suas vidas.
Apesar da alta adoção, 68% dos entrevistados apontaram que os produtos tecnológicos atuais não atendem adequadamente às necessidades desse grupo, destacando a complexidade dos dispositivos e a ausência de instruções claras como principais dificuldades. Essa percepção evidencia a necessidade de desenvolvimento de soluções mais acessíveis e intuitivas para o público sênior.
Perfil de uso e comportamento digital
No âmbito das redes sociais, observa-se um aumento da presença dos mais velhos em plataformas como Instagram e TikTok, com crescimento de 4 e 5 pontos percentuais, respectivamente, entre 2021 e 2022. O consumo de conteúdo por streaming também ganhou relevância, passando de 29% para 35% no mesmo período. No Brasil, dados da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas mostram que 97% dos idosos acessam a internet, utilizando principalmente redes sociais, aplicativos de transporte e serviços bancários. Entre os aplicativos mais utilizados, destacam-se WhatsApp, Facebook e YouTube.
Além do entretenimento e comunicação, a internet tem sido ferramenta frequente para compras, especialmente de eletroeletrônicos, medicamentos e eletrodomésticos. Essa tendência reforça o potencial econômico e a relevância do segmento sênior no mercado digital.
Tecnologia assistiva e cuidados familiares
O mercado tecnológico também tem avançado em soluções para cuidados familiares, com crescimento no interesse por aplicativos que auxiliam no acompanhamento e suporte a idosos em situação de fragilidade. Entre pessoas de 50 a 60 anos, muitos cuidam de pais ou mães que demandam atenção especial, buscando ferramentas que contribuam para a redução de custos e a manutenção da qualidade de vida.
Recursos baseados em inteligência artificial, como sensores para detecção de quedas e dispositivos controlados por voz, apresentam grande potencial para uso doméstico, porém a adoção depende da simplificação e maior intuitividade dessas tecnologias. Um estudo da Universidade de Michigan, publicado no final de 2022, apontou que 54% dos adultos entre 50 e 80 anos oferecem algum tipo de assistência a idosos, com a principal responsável por esses cuidados sendo uma mulher de meia-idade que acumula múltiplas responsabilidades.
Por fim, o grupo acima de 80 anos permanece vulnerável a fraudes financeiras, conforme dados de 2021 que indicam perdas significativas nesse segmento, reforçando a importância de políticas e tecnologias voltadas para a proteção desse público.
