PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Brasil

Pesquisa revela diversidade inédita de insetos na copa das árvores da Amazônia

Uma recente pesquisa conduzida por cientistas brasileiros destacou a complexidade da biodiversidade de insetos que habitam as copas das árvores na Amazônia. O estudo evidenciou que a composição dessas comunidades é significativamente diferente da observada ao nível do solo, indicando uma distribuição vertical diversificada e pouco explorada desses organismos.

O trabalho foi realizado na Estação Experimental de Silvicultura Tropical, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), próximo a Manaus, onde foram instaladas armadilhas de interceptação de voo em diferentes alturas, chegando até 32 metros acima do solo. Durante pouco mais de um ano, os pesquisadores coletaram aproximadamente 38 mil exemplares de insetos, dos quais cerca de 90% correspondem a espécies ainda não descritas pela ciência.

Segundo o entomólogo Dalton de Souza Amorim, da Universidade de São Paulo (USP), 61% das espécies capturadas na copa das árvores não foram encontradas nas amostras coletadas ao nível do solo, demonstrando a importância de se estudar os diferentes estratos da floresta para compreender a real diversidade do bioma. O projeto também planeja ampliar a coleta e o sequenciamento genético para mapear a variedade de espécies presentes em uma única localidade.

O pesquisador do Inpa, José Albertino, ressaltou que a preservação dos insetos é fundamental para a manutenção dos ecossistemas, já que esses animais desempenham papéis essenciais como polinizadores e base alimentar de outras espécies. A perda desses invertebrados poderia comprometer a sobrevivência de diversas plantas e animais, inclusive impactando a subsistência humana.

Além dos avanços científicos, o estudo chamou atenção para a necessidade de investimentos contínuos em pesquisas ambientais na Amazônia, conforme destacou a pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, Joice Ferreira. Ela enfatiza que, mesmo em áreas consideradas bem estudadas, ainda são descobertas novas espécies, evidenciando o vasto desconhecimento sobre a biodiversidade regional e a importância do fomento à ciência para ampliar esse conhecimento.