A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), instalou um receptor acústico na Praia do Sueste, em Fernando de Noronha, com o objetivo de monitorar a movimentação de tubarões na região. O equipamento capta sinais emitidos por transmissores previamente fixados em tubarões limão e tigre.
Este trabalho integra uma pesquisa iniciada em 2016, coordenada pelo pesquisador Paulo Oliveira, com participação da pesquisadora Daniele Viana. O método utilizado baseia-se em telemetria acústica, onde os transmissores instalados nos animais enviam sinais detectados pelos receptores, possibilitando a localização dos tubarões em um raio aproximado de 700 metros.
O estudo conta atualmente com 13 receptores distribuídos em vários pontos da ilha. Entretanto, na Praia do Sueste, dois receptores instalados anteriormente desapareceram, interrompendo o monitoramento local desde 2021. A equipe suspeita que o equipamento tenha sido removido por terceiros, já que estava posicionado em área de fácil acesso e protegida, não sendo plausível que tenha desaparecido por ação natural do ambiente marinho.
Em resposta, o ICMBio, por meio do chefe do setor de pesquisa em Noronha, Ricardo Araújo, informou que realizará acompanhamento contínuo para garantir a segurança e manutenção dos equipamentos instalados, incluindo o receptor colocado em 29 de março deste ano.
Contexto e medidas de segurança
A Praia do Sueste permanece fechada ao público desde um incidente grave registrado em janeiro de 2022, quando uma criança foi atacada por um tubarão. Anteriormente, em 2015, outro ataque resultou na amputação de um braço de um turista. Apesar de o ICMBio ter autorizado a retomada de mergulhos na área em março deste ano, a região voltou a ser interditada devido aos riscos identificados.
Além da preocupação com a segurança dos banhistas, a pesquisadora Daniele Viana destacou a importância da manutenção do fechamento da Praia do Sueste para a preservação ambiental local. Ela ressaltou que substâncias presentes em filtros solares têm causado danos genéticos a tubarões e outras espécies da região, indicando que a restrição de acesso pode contribuir para a conservação do ecossistema marinho.
