O Ministério das Relações Exteriores divulgou nesta quarta-feira (22) uma nota oficial comunicando a interrupção imediata das funções de um representante dos Estados Unidos que atua como oficial de ligação no Brasil. A medida ocorre em resposta à solicitação americana para que um delegado da Polícia Federal (PF) brasileira deixasse os Estados Unidos, em um episódio relacionado ao caso Ramagem.
A decisão brasileira foi antecipadamente comunicada de forma verbal à encarregada de negócios da embaixada dos EUA em Brasília, Kimberly Kelly, durante uma reunião no Itamaraty na terça-feira (21). Além de solicitar esclarecimentos, o governo brasileiro informou que aplicaria o princípio da reciprocidade diante da ação unilateral dos Estados Unidos, que não formalizaram previamente a expulsão do agente brasileiro.
Contexto e desdobramentos
Na segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano publicou em sua conta na rede social X que havia solicitado a saída de um “oficial brasileiro relevante” do país, sem notificação oficial. O delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) e esteve envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, foi o agente afetado.
Em resposta, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, comunicou ao oficial americano que suas credenciais de trabalho foram revogadas, medida que depende da decisão diplomática do Itamaraty para sua efetivação. Rodrigues também informou que solicitou o retorno voluntário do delegado brasileiro antes da manifestação oficial dos Estados Unidos que, por sua vez, indicaram a saída do agente brasileiro pelas redes sociais.
A nota do Itamaraty, publicada também na plataforma X, reafirma que a ação brasileira se deu sem comunicação formal, espelhando a forma como os americanos agiram. Embora o comunicado brasileiro tenha sido mais comedido no tom, o conteúdo expressa a determinação para que o oficial americano deixe o país. Um assessor da Presidência destacou que o desfecho depende agora do posicionamento oficial do governo dos EUA sobre a expulsão do delegado brasileiro.
