PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO terça-feira, 28 de abril de 2026
Brasil

Estudo avalia impacto do ruído humano na comunicação dos golfinhos em Fernando de Noronha

Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, realizam um estudo para analisar o impacto do ruído proveniente de atividades humanas na comunicação dos golfinhos em Fernando de Noronha. Para isso, foi instalado um hidrofone no Porto de Santo Antônio, região marcada pela presença significativa de embarcações e movimentação humana.

O objetivo da pesquisa é comparar os sons emitidos pelos cetáceos nessa área com os captados na Baía dos Golfinhos, local protegido e sem interferência direta da presença humana. Segundo o professor Raul Ribeiro, especialista em bioacústica e coordenador da ONG Ocean Sound, essa comparação é fundamental para entender as alterações no comportamento dos animais causadas pela poluição sonora.

Ruído antrópico e seus efeitos

O pesquisador explica que o ruído gerado pelas atividades humanas representa uma forma de poluição invisível, que interfere na comunicação dos golfinhos. A longo prazo, essa interferência exige que os animais se adaptem para realizar funções essenciais, como se comunicar, localizar alimentos e evitar predadores, o que implica em um custo biológico significativo.

O estudo pretende registrar diversos tipos de vocalizações, desde interações entre mãe e filhote até sinais relacionados a comportamentos agonísticos e reprodutivos. A captação de dados ocorrerá 24 horas por dia, durante um período de aproximadamente um mês e meio no Porto de Santo Antônio e quatro meses na Baía dos Golfinhos, utilizando equipamentos com bateria de longa duração.

Contribuição para a conservação marinha

Os dados coletados serão analisados para fornecer informações científicas que auxiliem na conservação dos ecossistemas marinhos de Fernando de Noronha. A pesquisa conta com o acompanhamento do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) e apoio da operadora Atlantis.

Este trabalho reforça a importância do monitoramento contínuo da poluição sonora e seus efeitos sobre a fauna marinha, contribuindo para a formulação de políticas públicas e estratégias de manejo que minimizem os impactos das atividades humanas na biodiversidade local.