O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou um relatório nesta segunda-feira que acusa Cuba de conduzir uma campanha contínua de espionagem e atividades subversivas em solo americano por quase 70 anos. O documento destaca que o país caribenho teria infiltrado altos escalões do governo dos EUA, além de recrutar e treinar ativistas e apoiar grupos de esquerda considerados terroristas.
Contexto histórico e tensões atuais
A Revolução Cubana de 1959, inicialmente recebida com certa abertura por Washington, rapidamente se transformou em um ponto de conflito durante a Guerra Fria. Em resposta à nacionalização de empresas americanas e à aproximação de Cuba com a União Soviética, os Estados Unidos impuseram sanções econômicas e realizaram operações contra o regime de Fidel Castro, incluindo tentativas de assassinato. Em contrapartida, Havana passou a apoiar movimentos guerrilheiros na América Latina e Caribe.
O relatório reconhece que Cuba não possui capacidade para um confronto militar convencional com os EUA, mas enfatiza que o país desenvolveu um modelo de guerra prolongada baseado em espionagem, infiltração, sabotagem e redes de aliados para desestabilizar os Estados Unidos internamente.
Pressões recentes e posição dos EUA
O governo americano, sob a administração Trump, manifestou o desejo explícito de promover mudanças políticas em Cuba, especialmente diante da crise econômica que afeta a ilha. Embora Havana tenha implementado reformas econômicas recentes, autoridades americanas, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, consideram essas medidas insuficientes. Washington mantém um embargo econômico desde os anos 1960, que sofreu algumas flexibilizações, mas endureceu novamente em 2026 com bloqueios específicos, como o de petróleo, após a crise na Venezuela.
Além disso, o Departamento de Estado organizou uma reunião internacional com representantes de 66 países para discutir o combate ao que classificam como um ressurgimento do terrorismo político de esquerda, apontando Cuba como patrocinadora dessas atividades. Rubio, com ascendência cubana, tem sido uma voz ativa nessa agenda, ressaltando que a atuação cubana representa uma ameaça à civilização ocidental.
Implicações diplomáticas
Apesar das acusações detalhadas, o relatório não anuncia novas sanções ou ações imediatas contra Cuba. A posição dos Estados Unidos reflete uma continuidade na política de contenção da influência cubana na região, alinhada a medidas anteriores como a invasão fracassada da Baía dos Porcos em 1961 e operações secretas para conter a expansão comunista na América Latina.
