O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, concedeu entrevista ao g1 e à GloboNews na sexta-feira (7), onde detalhou suas principais propostas para um eventual governo. Entre os pontos destacados, ele afirmou que promoveria anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, argumentando que a medida visa pacificar o país e superar divisões políticas.
Caiado também apresentou planos para a segurança pública, propondo a criação de uma polícia unificada para os países da América do Sul. A iniciativa tem como objetivo fortalecer o combate às facções criminosas transnacionais, facilitando a atuação integrada entre as nações fronteiriças. O candidato explicou que pretende iniciar conversas com os países vizinhos para implementar esse modelo, inspirado em estruturas semelhantes existentes na Europa.
Reformas e ajustes fiscais
O candidato anunciou a intenção de encaminhar ao Congresso, já no primeiro dia de governo, propostas abrangentes de reformas administrativa, política e tributária, buscando reduzir a burocracia e estimular a iniciativa privada. Para promover o ajuste fiscal, indicou que adotará cortes na máquina pública e revisará a Previdência, considerando o envelhecimento da população e a necessidade de sustentabilidade do sistema.
Sobre as emendas parlamentares, Caiado defendeu que os recursos sejam integralmente direcionados a projetos alinhados ao plano de governo, ressaltando a importância da autoridade moral do presidente para negociar com o Congresso.
Relações internacionais e economia
Em relação ao recente aumento tarifário dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, Caiado descartou a retaliação, argumentando que isso prejudicaria as exportações e investimentos americanos no país. Ele propôs utilizar as reservas brasileiras de terras raras como instrumento de negociação, destacando memorandos de entendimento com Japão e Estados Unidos para desenvolver tecnologias de processamento desses minerais.
O candidato também reafirmou que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o PIX, não estará em pauta para negociações internacionais, considerando-o um patrimônio nacional.
Posicionamentos sobre segurança e privatizações
Caiado defendeu a classificação do crime organizado como terrorismo doméstico para permitir a atuação das Forças Armadas no combate às facções criminosas, especialmente na Amazônia. Ele explicou que as Forças Armadas teriam papel de reocupar territórios, sem função de prender, e que para isso seria necessária aprovação legislativa.
Quanto às privatizações, manifestou apoio à venda dos Correios e do segmento de gás da Petrobras, mas descartou privatizar a exploração em águas profundas, além do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, ressaltando o papel social dessas instituições.
Por fim, o candidato se posicionou contra o uso de câmeras corporais por policiais militares, alegando que o equipamento poderia inibir a atuação dos agentes em situações de confronto.
