A temporada anual de reprodução das baleias-francas no Brasil, que tradicionalmente ocorre entre julho e novembro, inicia-se este ano sob um cenário de indefinição. Pesquisadores do Projeto ProFranca, responsável pelo monitoramento das espécies em Santa Catarina, indicam que mudanças recentes no ciclo reprodutivo dos mamíferos dificultam a previsão da presença dos animais nas águas do estado.
Segundo Eduardo Renault, gerente de pesquisa do ProFranca, tais alterações refletem uma variação no comportamento reprodutivo das baleias, cuja periodicidade usual é de um ciclo a cada três anos. Karina Groch, bióloga e diretora do projeto, destaca que essa mudança está diretamente relacionada à diminuição da disponibilidade de alimento, fator essencial para o sucesso reprodutivo da espécie.
Ciclo Reprodutivo e Impactos da Alimentação
O ciclo reprodutivo das baleias-francas consiste em três fases: no primeiro ano ocorre o acasalamento, sem necessariamente o deslocamento para águas tropicais; no segundo, as fêmeas migram para o litoral brasileiro para dar à luz e cuidar dos filhotes em ambiente protegido; no terceiro, elas passam por um período de descanso e recuperação, preparando-se para o próximo ciclo.
Recentemente, esse intervalo de descanso tem se prolongado, possivelmente devido à escassez de alimento, o que leva as fêmeas a adiar a reprodução até recuperarem condições físicas adequadas. Essa situação é agravada por oscilações climáticas que alteram a temperatura do oceano, afetando a disponibilidade de presas essenciais para a alimentação das baleias.
Monitoramento e Registros em Santa Catarina
Em 2022, o ProFranca registrou a presença de 228 baleias-francas em Santa Catarina, a maior ocorrência dos últimos cinco anos, com picos de até 250 indivíduos em períodos de sobrevoo realizados em setembro. Em comparação, os anos anteriores apresentaram números inferiores, como 120 animais em 2021 e 42 em 2020, demonstrando uma variabilidade considerável na visitação das baleias ao litoral catarinense.
Esses dados reforçam a importância do monitoramento contínuo, que auxilia na compreensão dos impactos ambientais sobre a espécie e contribui para estratégias de conservação, especialmente diante das mudanças no ciclo reprodutivo observadas nos últimos anos.
