PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Política

Audiência no STF avalia acordo de delação envolvendo empresário e esquema do Banco Master

O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, participou de uma audiência nesta terça-feira (8) com um juiz auxiliar do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro teve como objetivo analisar o acordo de delação premiada firmado entre o empresário e a Procuradoria-Geral da República (PGR) no mês passado.

Durante a audiência, o magistrado questionou se o acordo foi celebrado de forma voluntária, requisito indispensável para a homologação da delação. Mineiro confirmou a voluntariedade, porém não há previsão para a decisão final do relator sobre a homologação do acordo.

Detalhes do esquema e movimentação financeira

Na delação assinada em 8 de agosto, o empresário admitiu ter sido responsável por gerar dinheiro em espécie para a equipe de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do extinto Banco Master. Segundo as declarações, o recurso era entregue em malas e destinado a pagamentos de propina. Mineiro afirmou que movimentou aproximadamente R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025, a pedido de Vorcaro e seus associados, sem saber o destino final do dinheiro.

Mineiro é proprietário da Entre Investimentos, empresa que, segundo ele, realizou repasses financeiros para o filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os valores, estimados em cerca de US$ 12,3 milhões, foram direcionados ao fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e controlado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ainda conforme o empresário, os repasses foram solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República.

Funcionamento do esquema e comprovações

O empresário detalhou à PGR que o dinheiro em espécie era solicitado por Vorcaro ou por pessoas próximas, como Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro. Os pedidos eram realizados por meio de mensagens de WhatsApp. Para obter o dinheiro, Mineiro contatava três operadores, também via aplicativo, e realizava transferências bancárias para empresas indicadas por eles, incluindo uma distribuidora de combustíveis que já foi investigada na Operação Carbono Oculto, em São Paulo.

Os pagamentos para esses operadores eram formalizados por contratos de mútuo firmados com a Entre Investimentos. Segundo o delator, os operadores conseguiam o dinheiro em espécie em regiões como o Brás, no centro de São Paulo, e no setor de combustíveis, entregando-o posteriormente na sede da Entre Investimentos, localizada no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo.

As entregas das malas contendo dinheiro eram combinadas por WhatsApp com Zettel, geralmente no mesmo dia para minimizar riscos relacionados ao armazenamento, ocorrendo em estacionamentos ou garagens próximas. Mineiro e os operadores recebiam percentuais de 1% e 4%, respectivamente, pelos serviços prestados.

Para sustentar suas declarações, o empresário apresentou uma série de documentos às autoridades, incluindo recibos de malas adquiridas para o transporte do dinheiro, contratos de empréstimo simulados, registros bancários das transferências efetuadas e tabelas detalhando valores e datas das operações.