O reajuste do salário mínimo e das aposentadorias está entre os temas centrais da campanha presidencial de 2026, diante do desafio de preservar o poder de compra da população frente à inflação e ao aumento das despesas públicas. Atualmente, o governo federal adota uma fórmula que combina inflação e crescimento econômico para definir o aumento do salário mínimo, com limite máximo de 2,5% de ganho real. Caso o Produto Interno Bruto (PIB) não apresente crescimento, o reajuste considera apenas a inflação acumulada.
Essa regra influencia diretamente o reajuste das aposentadorias e demais benefícios previdenciários, que são vinculados ao salário mínimo. De acordo com o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), as despesas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com esses pagamentos devem alcançar R$ 1,218 trilhão em 2027, uma alta de quase 8% em relação a 2026, o que gera preocupação sobre o impacto fiscal e a necessidade de ajustes.
Principais propostas dos candidatos
O presidente Lula, candidato à reeleição, defende a manutenção da regra vigente, garantindo aumentos reais para trabalhadores, aposentados e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Seu plano de governo prevê ainda diversificação das fontes de financiamento da Previdência e regulamentação da contribuição previdenciária para trabalhadores de aplicativos, além da ampliação do acesso ao sistema previdenciário.
Por outro lado, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) propõe modernizar a gestão previdenciária por meio da digitalização e implementação de medidas antifraude, além de blindar fundos de pensão contra interferências políticas. Contudo, ele não detalhou se pretende manter a vinculação dos benefícios ao salário mínimo.
Augusto Cury (Avante) assegura garantir reajustes do salário mínimo acima da inflação, com acréscimo mínimo de 1% ao ano, mas não menciona mudanças na vinculação dos benefícios. Ronaldo Caiado (PSD) também defende a manutenção da regra atual para o salário mínimo, salientando a importância de preservar os rendimentos dos aposentados em meio a medidas de ajuste fiscal.
Renan Santos (Missão) propõe desindexar os benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, corrigindo-os apenas pela inflação, e defende a realização de uma nova reforma da Previdência para assegurar a sustentabilidade do sistema.
Romeu Zema (Novo) sugere uma reforma previdenciária abrangente, incluindo estados e municípios, com mecanismo automático de ajuste da idade mínima com base na expectativa de vida, e garante a reposição da inflação no salário mínimo, sem compromisso com aumento real.
Outros candidatos, como Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO), propõem aumentos significativos do salário mínimo, buscando aproximá-lo do valor considerado necessário por estudos do Dieese, além de medidas como isenção de Imposto de Renda para faixas mais baixas e benefícios adicionais para desempregados.
Alguns candidatos, como Clariana Barão (DC) e Leonardo Avalanche (PRTB), não apresentam propostas específicas sobre o tema no momento.
O debate sobre a desindexação dos benefícios do salário mínimo e a necessidade de reformas previdenciárias ganha espaço em meio ao cenário de aumento das despesas públicas e o desafio de equilibrar sustentabilidade fiscal com proteção social.
