PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Brasil

Pesquisa revela vulnerabilidades no TikTok exploradas com inteligência artificial

Pesquisadores norte-americanos realizaram um teste de segurança no aplicativo TikTok que resultou no acesso remoto à câmera e ao armazenamento de fotos de um celular. A investigação utilizou um modelo de inteligência artificial (IA) chamado GLM, desenvolvido pela empresa chinesa Z.ai, para analisar o código e detectar vulnerabilidades.

O estudo, divulgado pelo Washington Post, destaca uma nova aplicação da IA além da criação de conteúdos: a capacidade de identificar falhas em sistemas e automatizar processos que facilitam ataques cibernéticos. A empresa responsável pelo teste, DepthFirst, adaptou o modelo de IA gratuito para vasculhar o código aberto utilizado pelo TikTok, identificando múltiplas brechas que, combinadas, possibilitaram a invasão do dispositivo.

Funcionamento do ataque e uso da IA

Os pesquisadores explicam que a invasão não foi resultado de uma única falha, mas da combinação de diversas vulnerabilidades exploradas sequencialmente, permitindo o acesso a funções protegidas do aparelho. A inteligência artificial acelerou o processo de análise ao apontar rapidamente trechos de código potencialmente vulneráveis, auxiliando na formulação e teste das hipóteses de ataque.

Esse uso da IA representa uma evolução na segurança cibernética, pois simplifica a identificação de falhas que tradicionalmente demandariam mais tempo e conhecimento técnico especializado. Contudo, especialistas alertam que a mesma tecnologia pode ser utilizada por agentes maliciosos para automatizar ataques, tornando o cenário de segurança digital mais complexo.

Resposta do TikTok e implicações

Após ser notificado sobre as vulnerabilidades, o TikTok implementou correções para eliminar as falhas apontadas pelos pesquisadores. A demonstração não indica que existe atualmente uma brecha ativa que permita o acesso indevido à câmera ou fotos de usuários da plataforma.

Este episódio evidencia como a inteligência artificial está transformando a dinâmica entre defensores e atacantes no ambiente digital, reforçando a necessidade de contínua atualização em práticas de segurança e monitoramento tecnológico.