Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto IDEIA, em parceria com diversas instituições do terceiro setor, identificou que a educação é um tema central para a população brasileira na escolha de seus representantes políticos. Segundo o levantamento “O que a população pensa sobre a educação 2026”, 7 em cada 10 brasileiros levam em conta os planos de governo relacionados à educação ao decidir seu voto.
O estudo também evidenciou que a alfabetização precoce é vista como uma prioridade para os próximos mandatos estaduais, com 8 em cada 10 entrevistados defendendo que os governadores deem atenção especial a essa etapa fundamental do processo educacional. Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, destaca que a alfabetização é essencial para o desenvolvimento integral das crianças e deve estar no centro das políticas públicas educacionais.
Valorização dos professores e investimentos estratégicos
A pesquisa aponta que a valorização dos profissionais da educação, especialmente por meio da melhoria salarial e das condições de trabalho, é considerada prioritária por mais da metade da população (53%). Além disso, 37% dos brasileiros ressaltam a importância de aprimorar a formação dos docentes. Esses aspectos são vistos como fundamentais para elevar a qualidade do ensino e, consequentemente, o desempenho dos alunos.
Outros temas relevantes apontados no estudo incluem a ampliação do ensino técnico, com 48% da população considerando essa uma prioridade, e a alfabetização até os 8 anos, citada por 47%. Apesar do reconhecimento da importância dessas áreas, a população também percebe desafios significativos, como o ritmo insuficiente de aprendizagem da leitura e escrita e a preparação inadequada para o mercado de trabalho, avaliados por cerca de um quarto dos entrevistados.
Percepção sobre educação em tempo integral e cenário atual
A educação em tempo integral tem ganhado destaque, embora o conhecimento sobre o modelo ainda seja desigual entre as classes sociais. Enquanto 71% afirmam ter ouvido falar sobre escolas em tempo integral, apenas 38% se consideram bem informados. A adesão ao modelo é maior entre as classes C, D e E, que também atribuem avaliações mais positivas aos benefícios da jornada estendida, como maior segurança e melhor preparação para o ensino superior e o mercado de trabalho.
Quanto à qualidade da educação pública, 45% dos brasileiros classificam as escolas de seus estados como boas ou ótimas, e 49% percebem uma melhora nos últimos quatro anos. No entanto, 42% acreditam que a maioria dos alunos não está alcançando os níveis esperados de aprendizagem para sua faixa etária, indicando a necessidade de políticas educacionais mais eficazes.
Metodologia e conclusões
O levantamento ouviu 20 mil brasileiros com 16 anos ou mais, distribuídos em todas as unidades da Federação, entre maio e julho de 2026. Com nível de confiança de 95%, os resultados refletem a percepção nacional sobre o tema. A pesquisa reforça que a educação é uma pauta valorizada pela sociedade e que a percepção de avanços pode influenciar nas decisões eleitorais, ressaltando a importância de planos de governo claros e focados em melhorias efetivas para a área.
