O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, promoveram um encontro presencial em Nova York na noite de 22 de setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. A reunião, que contou com a participação de altos representantes americanos, como o secretário de Estado Marco Rubio, marcou um avanço significativo na relação bilateral, que anteriormente se caracterizava por forte antagonismo.
Realizado a portas fechadas no hotel Lotte Palace, localizado em Manhattan, o encontro ocorreu a menos de 15 km da prisão onde o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro está detido no Brooklyn, suspeito de envolvimento em crimes relacionados ao narcotráfico. Apesar dessa proximidade geográfica, nenhum dos líderes demonstrou preocupação pública com a situação do ex-mandatário, cuja captura foi realizada por forças norte-americanas em janeiro.
Transformação na dinâmica bilateral
Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina da Venezuela com o apoio dos Estados Unidos após a detenção de Maduro, classificou a reunião como histórica e afirmou que ambos os países discutiram o fortalecimento da cooperação em setores estratégicos, como energia, mineração e segurança. Ela também agradeceu o suporte americano após os terremotos ocorridos na Venezuela em junho e mencionou o apoio à reinserção do país em organismos multilaterais.
Desde o início da atual administração americana, houve uma mudança substancial na postura dos EUA em relação à Venezuela. Em 2019, Trump havia criticado duramente Maduro, qualificando-o como um “fantoche cubano” e denunciando a crise humanitária no país. Entretanto, nos últimos meses, as sanções contra Rodríguez foram suspensas, e foram firmados acordos para o controle de parte das reservas petrolíferas venezuelanas por empresas americanas, ampliando a cooperação econômica.
Contexto político e repercussões
Especialistas destacam que, apesar da aparente normalização das relações, o governo americano não demonstra interesse em promover uma transição democrática imediata na Venezuela, consolidando o atual governo interino. Segundo Benjamin Gedan, diretor do programa para a América Latina do centro de estudos Stimson, tal aproximação representa uma mudança significativa na política externa dos Estados Unidos para a região, que historicamente priorizou a defesa da democracia.
Além disso, o governo venezuelano realizou gestos considerados favoráveis aos EUA, como a prisão e extradição do ex-ministro Alex Saab, envolvido em investigações nos Estados Unidos. A cooperação na área do combate ao narcotráfico também foi ressaltada, com a retirada da Venezuela da lista americana de países que não colaboram suficientemente nesse combate.
Enquanto Maduro enfrenta processo judicial em solo americano, Delcy Rodríguez tem ampliado sua agenda internacional, participando de encontros com líderes estrangeiros e organismos multilaterais em Nova York, incluindo o secretário-geral da ONU, António Guterres. A retomada das relações diplomáticas entre a Venezuela e países da região, como o Chile e o Paraguai, também indica um reposicionamento político no continente.
Este encontro, portanto, representa não apenas um marco na relação bilateral, mas também um indicativo das mudanças na política externa dos Estados Unidos em relação à América Latina, com implicações diretas para o futuro político e econômico da Venezuela.
