PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Brasil

Pressão acadêmica e uso de medicamentos controlados entre adolescentes na China: um desafio para a saúde mental

Na China, o uso indevido de medicamentos controlados por adolescentes tem se tornado um problema crescente, especialmente entre estudantes submetidos a intensa pressão acadêmica. Casos como o da estudante Xiaomei*, que aos 14 anos recorreu a remédios vendidos apenas com receita médica para aliviar o estresse dos exames, ilustram a complexidade dessa questão.

A facilidade de acesso a esses medicamentos pela internet, muitas vezes sem a devida fiscalização, contribui para o consumo irregular. Mesmo após medidas governamentais para restringir a venda de determinados fármacos, os jovens rapidamente buscam alternativas, reforçando a dificuldade de controle sobre essa prática.

Contexto da pressão acadêmica e social

Adolescentes em escolas de elite enfrentam um sistema rigoroso de avaliação, onde o desempenho influencia diretamente a permanência em classes especiais. Essa dinâmica, associada ao peso das expectativas familiares — especialmente em famílias com um único filho —, gera um ambiente de isolamento e ansiedade. Segundo especialistas, essa pressão pode levar ao uso de substâncias para buscar alívio temporário, como os chamados episódios de “euforia farmacêutica” relatados em grupos de bate-papo online.

Além das consequências imediatas, como efeitos colaterais graves e risco de overdose, o consumo dessas medicações está associado a comportamentos autodestrutivos, incluindo a automutilação. O isolamento social e a escassez de oportunidades para a formação de relações interpessoais agravam essa situação.

Resposta governamental e desafios na saúde mental

Reconhecendo a gravidade do problema, o governo chinês tem implementado políticas para controlar a venda de medicamentos psicotrópicos e expandir o suporte em saúde mental. Entre as ações estão a criação de serviços de orientação nas escolas e o aumento da oferta de profissionais especializados, com a meta de estabelecer um sistema nacional de apoio psicológico até 2030.

Apesar dos avanços, a escassez de psiquiatras pediátricos e a necessidade de ampliar o diálogo entre famílias e jovens permanecem como desafios centrais. Especialistas destacam que a atenção às questões emocionais dos adolescentes e a promoção de um ambiente familiar aberto são fundamentais para enfrentar essa crise.

O caso de Xiaomei e de outros jovens que conseguiram apoio demonstra a importância do suporte familiar e da compreensão para a superação do consumo inadequado de medicamentos. Paralelamente, o cenário econômico atual, marcado por incertezas no mercado de trabalho, contribui para o aumento da ansiedade entre os jovens e seus familiares.