PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Brasil

Estratégias para Preservação Cognitiva e Envelhecimento Saudável do Cérebro

Nos últimos anos, avanços científicos têm evidenciado que o declínio cognitivo está intimamente ligado aos hábitos cotidianos. O Centro de Longevidade de Stanford, por meio de iniciativas como um clube do livro, tem promovido a divulgação de obras especializadas no tema, entre elas “The Age-Proof Brain”, do pesquisador Marc Milstein.

Milstein destaca que a qualidade do sono exerce papel fundamental na saúde cerebral. Durante o sono profundo, o cérebro passa por um processo de retração que permite a eliminação de resíduos tóxicos pelo sistema glinfático, mecanismo essencial para a manutenção das funções cognitivas. Para que esse processo ocorra de forma eficiente, além de um tempo adequado de descanso, é necessário um ambiente escuro, já que a exposição mesmo a pequenas fontes de luz pode prejudicar os estágios profundos do sono.

Hábitos Alimentares e Exercícios Físicos

Além do sono, o pesquisador enfatiza a importância da alimentação e da atividade física na proteção cognitiva. Ele recomenda uma dieta rica em grãos integrais, legumes, verduras e peixes com ômega 3, evitando ao máximo alimentos ultraprocessados, seguindo o padrão conhecido como “mind diet”. Quanto à suplementação, Milstein ressalta a necessidade de avaliação médica para identificar deficiências específicas antes de iniciar qualquer uso de suplementos.

A prática regular de exercícios, especialmente caminhadas de intensidade moderada por pelo menos seis a dez minutos diários, também integra a abordagem preventiva para o cérebro, promovendo benefícios que vão além da cognição, favorecendo o organismo como um todo.

Engajamento Social e Saúde Mental

Outro aspecto destacado é o engajamento social. Estudos indicam que o isolamento e a falta de conexão com outras pessoas aumentam o risco de declínio cognitivo. Atividades estimulantes como aprender novos idiomas, dançar ou praticar esportes, além do contato social ativo, são apontadas como formas eficazes de manter o cérebro saudável e ativo.

Para ilustrar essa relação, Milstein cita pesquisas com grupos de idosos que apresentavam sinais de alterações neurológicas em exames, mas que, apesar disso, mantinham funções cognitivas preservadas graças à participação ativa em ambientes sociais.

Guia Prático para Cuidar do Cérebro

Como ferramenta prática, o autor propõe o acrônimo BRAIN, que reúne orientações para o cuidado diário: Balance (equilíbrio) — trabalhar o equilíbrio físico e estar atento a sinais de instabilidade; Recall (lembrar) — exercitar a memória com foco e concentração; Assessment (avaliação) — monitorar a saúde cerebral e tratar condições como apneia do sono; Intensity of walking (intensidade da caminhada) — manter atividade física regular; Number (número) — refletir sobre a percepção da própria idade, já que sentir-se mais jovem pode estar associado a um cérebro mais saudável.