O partido de extrema direita francês Reunião Nacional alcançou recentemente sua maior representação histórica no Senado, um avanço significativo às vésperas das eleições presidenciais previstas para maio. Contudo, a celebração foi ofuscada por denúncias graves contra Jordan Bardella, presidente da legenda e figura central na renovação da sigla.
Investigação publicada pelo site Mediapart revelou mensagens atribuídas a Bardella, datadas do período em que ele tinha entre 17 e 18 anos, contendo expressões antissemitas tradicionais. Entre os conteúdos divulgados, estavam declarações que associam o controle financeiro a judeus e defendem ideias conspiratórias envolvendo uma suposta dominação sionista.
Segundo a reportagem, Bardella teria sido influenciado pelo ensaísta Alain Soral, condenado por incitação ao ódio e antissemitismo, cuja obra impactou uma geração de ativistas da extrema direita francesa. As mensagens também incluíam ataques a personalidades como o filósofo Bernard-Henri Lévy e o economista Jacques Attali, associando-os a uma teoria sobre a Nova Ordem Mundial dominada por Israel.
O líder do Reunião Nacional negou a autoria das mensagens, qualificando-as como falsificações e anunciou que tomará medidas judiciais contra o veículo responsável pela divulgação. Ele qualificou as acusações como parte de tentativas de desestabilizar a campanha presidencial da candidata Marine Le Pen.
Esta situação representa um desafio para Marine Le Pen, que tem trabalhado para distanciar o partido de seu passado marcado por acusações de xenofobia e antissemitismo, especialmente após a expulsão de seu pai, Jean-Marie Le Pen, em 2015 devido a declarações controversas sobre o Holocausto. Bardella, aos 31 anos, simbolizava a renovação da legenda, mas agora pode se tornar um obstáculo para a candidatura de Le Pen.
Apesar da repercussão negativa, Le Pen manifestou total confiança em Bardella, classificando as denúncias como infundadas. No entanto, o episódio gerou desconforto interno, contrastando com o entusiasmo gerado pelo aumento expressivo da bancada no Senado. As pesquisas eleitorais continuam indicando a liderança de Marine Le Pen, reflexo da estratégia de moderação adotada para ampliar seu eleitorado, mas as recentes acusações colocam em dúvida o alcance dessa abordagem.
