PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Internacional

Trump questiona escolha de Navi Pillay para o Nobel da Paz e defende sua própria indicação

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou críticas à escolha da jurista sul-africana Navi Pillay como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. Em publicações na rede social Truth Social, Trump contestou a decisão do Comitê Norueguês do Nobel, afirmando que deveria ter sido o laureado.

Navi Pillay é reconhecida por sua trajetória na defesa dos direitos humanos e do direito internacional, incluindo sua atuação na garantia de acesso a advogados para presos políticos na Ilha Robben, durante o regime do apartheid na África do Sul, entre eles Nelson Mandela. Além disso, foi juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI), alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e presidiu uma comissão independente da ONU que concluiu, em 2025, que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, decisão rejeitada por Israel e pelos Estados Unidos.

Posicionamento de Trump e sanções ao Tribunal Penal Internacional

Trump afirmou que, sob sua presidência, os Estados Unidos resolveram oito conflitos internacionais e estavam próximos de encerrar outros dois, além de garantir a liberdade de reféns e conter o avanço nuclear do Irã. Ele classificou a escolha de Pillay como uma “mancha inesquecível da Noruega” e declarou que deveria ter recebido múltiplos prêmios Nobel da Paz.

Em meio a essas críticas, os Estados Unidos impuseram novas sanções ao TPI, citando ameaças aos seus cidadãos em possíveis processos internacionais. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, ressaltou a intenção de pressionar o tribunal para que cesse essas ações, solicitando apoio de aliados.

Contexto e significado do prêmio

O Comitê Norueguês do Nobel destacou a premiação de Navi Pillay como um reconhecimento à sua dedicação aos princípios jurídicos universais e uma mensagem em defesa da ordem jurídica internacional. O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, indicou que o prêmio serve como um alerta a quem busca enfraquecer o sistema internacional.

A jurista, nascida em Durban, África do Sul, foi a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz, entre 144 laureados individuais e organizações. A honraria inclui uma medalha, diploma e uma quantia em dinheiro correspondente a 11 milhões de coroas suecas.