PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Economia

Fã-clubes de artistas pop organizam ação para ampliar presença digital de Lula nas eleições

Uma rede composta por aproximadamente 500 fã-clubes de artistas da música pop, incluindo nomes como Taylor Swift, The Weeknd, Harry Styles e BTS, tem promovido uma mobilização para fortalecer a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais durante o período eleitoral. Além de republicar conteúdos oficiais da campanha, esses grupos produzem materiais originais, como vídeos curtos e montagens audiovisuais, voltados para o público jovem.

Segundo Breno Scarpate Hochileitner, administrador do fã-clube “Katy Cats Updates”, o movimento surgiu espontaneamente, sem convocação formal da campanha, motivado pela defesa dos direitos das minorias e da cultura. A estimativa dos fã-clubes é alcançar cerca de 20 milhões de seguidores por meio dessas ações digitais.

Em reconhecimento à iniciativa, o presidente Lula enviou mensagem de agradecimento aos fã-clubes, reforçando a importância da mobilização para a democracia e a campanha eleitoral. O termo “fandoms” designa essas comunidades de fãs dedicadas a artistas ou universos culturais específicos.

Relação prévia com o governo e estratégias para o segundo turno

A aproximação entre esses grupos e o governo não é recente. Em agosto, representantes de fã-clubes foram convidados ao Palácio do Planalto para discutir medidas contra o cambismo digital, ocasião em que o presidente assinou decreto com regras para a comercialização e transferência de ingressos, além de disposições sobre a distribuição de água em grandes eventos.

Para o segundo turno, a campanha de Lula estruturou um núcleo em Brasília para integrar jovens eleitos e influenciadores digitais de esquerda, com o objetivo de aprimorar a comunicação nas redes sociais. Entre os participantes estão deputados eleitos como Guilherme Cortez (PSOL-SP), Ana Elisa (PT-MG) e Ana Júlia Ribeiro (PT-PR). Eles se reuniram com o presidente Lula e permanecerão na capital federal até, pelo menos, sexta-feira.

Reações da oposição

A articulação recebeu críticas da oposição. O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) alegou que páginas de fofoca estariam alinhando narrativas para desqualificar adversários políticos e favorecer Lula, questionando publicamente se essa atuação poderia ser comparada a um “gabinete do ódio” e se haveria remuneração envolvida. A campanha do presidente, por sua vez, afirma que o movimento é orgânico e originado pelos próprios fãs.