O Brasil mantém sua posição como maior exportador mundial de carne de frango, mas enfrenta um cenário de crescente competitividade com o avanço da produção chinesa. No primeiro semestre de 2026, a China registrou um aumento superior a 9% na produção de frango em comparação ao mesmo período do ano anterior, ampliando também suas exportações, especialmente de cortes menos consumidos internamente.
Apesar desse crescimento, a China continua entre os principais importadores do frango brasileiro, tendo adquirido cerca de 420 mil toneladas entre janeiro e setembro de 2026, gerando uma receita superior a US$ 1,15 bilhão. A preferência por diferentes cortes explica essa dinâmica: enquanto o mercado chinês valoriza pés e asas, o brasileiro privilegia peito, coxa e sobrecoxa.
Expansão da produção e exportação chinesa
Segundo dados do Rabobank, a produção chinesa de carne de frango tem avançado a um ritmo superior ao consumo interno, impulsionando um excedente disponível para exportação. De janeiro a maio de 2026, as exportações chinesas de peito de frango cresceram quase 60%, representando mais de 63% do volume total exportado pelo país nesse período.
Embora a China esteja entre os cinco maiores exportadores globais, com cerca de 1 milhão de toneladas em 2025, o Brasil segue à frente com volume superior a 5,3 milhões de toneladas no mesmo ano. Especialistas destacam que o crescimento chinês pode intensificar a concorrência principalmente em mercados do Oriente Médio, Ásia e África.
Perspectivas para o mercado internacional
Para o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, o avanço da China não deverá comprometer a liderança brasileira. Ele ressalta que o aumento global do consumo de proteínas, em especial da carne de frango, cria espaço para a entrada de novos players, contribuindo para a segurança alimentar mundial.
Entretanto, a entrada da carne chinesa enfrenta limitações em mercados como União Europeia, Japão e Coreia do Sul, devido a protocolos sanitários rigorosos, especialmente relacionados à gripe aviária.
Aspectos culturais e oportunidades comerciais
As diferenças culturais nos hábitos de consumo também influenciam o comércio internacional. No Brasil, cortes como peito e coxa são mais valorizados, enquanto na China os pés de frango são considerados delicadezas e consumidos amplamente, sendo até comercializados em embalagens individuais em pontos de venda variados.
Essa particularidade cultural torna a China um importante mercado para exportações brasileiras de cortes específicos, como pés de frango, que geraram US$ 221 milhões em receita em 2025. Assim, Brasil e China ocupam espaços distintos e complementares no mercado global de carne de frango.
