Nos últimos dias, órgãos governamentais e empresas estatais da China emitiram orientações para que seus funcionários evitem instalar o software de inteligência artificial OpenClaw em dispositivos de trabalho. A medida visa mitigar riscos relacionados à segurança cibernética e à proteção de dados, conforme revelaram duas fontes próximas ao assunto.
OpenClaw é uma ferramenta de código aberto que opera com alto grau de autonomia, capaz de realizar diversas tarefas além das funções básicas de chatbots convencionais. Seu uso tem crescido rapidamente entre desenvolvedores chineses, grandes corporações de tecnologia e algumas administrações locais, especialmente em polos de inovação tecnológica e manufatura.
Preocupações com a Segurança e Dados
Apesar da adesão ao software, reguladores centrais e veículos da mídia estatal destacaram repetidamente os perigos de vazamento, exclusão ou uso inadequado das informações dos usuários após a instalação do programa. Essas advertências refletem o equilíbrio que Pequim busca entre o incentivo à inovação tecnológica, por meio do plano “IA Plus”, e a necessidade de controlar vulnerabilidades em um contexto de tensões geopolíticas crescentes.
Segundo uma das fontes, orientações foram direcionadas para que servidores públicos e colaboradores de estatais não utilizem o OpenClaw, inclusive em aparelhos pessoais. Outra fonte vinculada a um órgão governamental explicou que, embora não haja uma proibição formal, os responsáveis por servidores receberam alertas para evitar a instalação do software, dada a ausência de garantias de segurança.
Impactos e Adoção Local
O alcance dessas restrições ainda está indefinido, especialmente em relação a políticas de governos regionais que incentivam o desenvolvimento de tecnologias baseadas no OpenClaw, inclusive com subsídios financeiros significativos. Por exemplo, em Shenzhen, um centro de pesquisa vinculado à comissão municipal de saúde promoveu recentemente um treinamento sobre o software para milhares de profissionais, integrando-o à estratégia de expansão tecnológica na área da saúde.
Além disso, relatos indicam que no distrito de Futian, também em Shenzhen, o OpenClaw foi utilizado para criar um agente de inteligência artificial dedicado ao suporte de servidores públicos, conforme reportagem do jornal Southern Daily. Até o momento, os órgãos reguladores responsáveis, como o regulador de ativos estatais e o Ministério da Indústria, não se manifestaram publicamente sobre o assunto.
O OpenClaw foi desenvolvido pelo austríaco Peter Steinberger e disponibilizado como projeto de código aberto em novembro do ano passado. Recentemente, Steinberger ingressou na OpenAI, empresa reconhecida no setor de inteligência artificial.
