Uma recente pesquisa conduzida pelo Centro de Pesquisa em Gerontologia e pela Faculdade de Esportes e Ciências da Saúde da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, analisou diferenças no bem-estar mental de idosos entre duas gerações. O estudo comparou sintomas depressivos e satisfação com a vida entre pessoas na faixa etária de 75 a 80 anos nos períodos de 1989-1990 e 2017-2018.
Os resultados indicam que os idosos contemporâneos apresentam menos sinais de depressão em relação aos idosos da década de 1990. Essa redução está associada, em parte, a melhorias nas condições de saúde e níveis educacionais mais elevados entre as gerações mais recentes.
Condições físicas e cognitivas aprimoradas
Pesquisas anteriores realizadas pela mesma equipe já haviam apontado avanços em aspectos físicos e cognitivos, como força muscular, velocidade ao caminhar, rapidez nas reações, fluência verbal e raciocínio lógico entre os idosos atuais, sugerindo um envelhecimento com maior qualidade funcional.
Ao ampliar o foco para o bem-estar mental, o estudo constatou que, apesar da diminuição dos sintomas depressivos, o grau de satisfação com a vida se mantém semelhante entre as duas coortes. Segundo a pesquisadora Tiia Kekäläinen, essa constatação pode estar relacionada à capacidade de adaptação dos indivíduos às condições de vida que enfrentam, independentemente da época.
Contexto social e melhorias globais
O levantamento ainda destaca que, embora a Finlândia tenha sido reconhecida pelo sexto ano consecutivo em 2023 como o país mais feliz do mundo segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), avanços significativos em áreas como higiene, nutrição, assistência médica, educação e direitos trabalhistas têm contribuído para o aprimoramento do bem-estar dos idosos em diversas regiões, inclusive em países com menor desenvolvimento econômico.
O estudo considerou duas coortes: a primeira composta por 617 pessoas nascidas entre 1910 e 1914, avaliadas entre 1989 e 1990, e a segunda por 794 indivíduos nascidos entre 1938-39 e 1942-43, avaliados entre 2017 e 2018. Essa comparação estatística permitiu identificar mudanças relevantes no perfil de saúde mental e qualidade de vida dos idosos ao longo das últimas três décadas.
