PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Internacional

Nepal investiga esquema de fraudes com resgates no Everest envolvendo envenenamento de turistas

Uma investigação conduzida pelo Departamento Central de Investigação (CIB) da Polícia do Nepal revelou um esquema sofisticado de fraudes no setor turístico da região do Himalaia, envolvendo o envenenamento deliberado de turistas para induzir resgates médicos desnecessários. O relatório final, com mais de 1.200 páginas, foi concluído em março de 2026 e identificou 33 suspeitos, entre eles proprietários de agências de trekking, operadores de helicópteros e gestores hospitalares.

Metodologia da fraude e atuação dos envolvidos

Segundo a apuração, os guias turísticos adulteravam a alimentação dos alpinistas com substâncias como bicarbonato de sódio, carne crua e até fezes de rato, provocando sintomas gastrointestinais que simulavam o mal de altitude, uma condição frequente em altitudes elevadas como o Monte Everest. Além disso, os turistas com sintomas leves eram submetidos a pressão psicológica, com alertas sobre risco iminente de morte para convencê-los a aceitar evacuações aéreas.

Em alguns casos, medicamentos preventivos contra o mal de altitude eram administrados com excesso de líquido, causando efeitos adversos que reforçavam a necessidade de resgate. O esquema contava ainda com a participação de hospitais, que criavam registros médicos falsos para justificar internações, apesar de imagens de segurança mostrarem turistas classificados como gravemente enfermos circulando normalmente.

Impactos financeiros e operacionais

Os resgates por helicóptero eram superfaturados, com custos cobrados separadamente de cada seguradora, mesmo quando um único voo transportava múltiplos passageiros, elevando os valores cobrados de forma significativa. Estima-se que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 100 milhões entre 2022 e 2025, afetando aproximadamente 4.782 turistas estrangeiros.

O caso causa preocupação ao governo nepalês devido ao potencial impacto na reputação do país e ao risco de seguradoras internacionais suspenderem a cobertura para viagens à região. Entre os 33 indiciados, 23 permanecem foragidos e podem responder por crimes como organização criminosa, fraude, falsificação de documentos e atentado contra o interesse nacional.

Medidas e consequências

O governo do Nepal afirma estar empenhado na recuperação dos recursos desviados e na responsabilização dos envolvidos, reforçando os esforços para preservar a confiança no setor turístico, que é fundamental para a economia local e gera mais de um milhão de empregos. A investigação evidencia a complexidade das fraudes e a necessidade de maior fiscalização nos serviços relacionados ao turismo de aventura na região.