Os governos do Brasil e da China divulgaram uma declaração conjunta nesta sexta-feira (14) reafirmando que a mudança climática é um dos principais desafios globais contemporâneos e ressaltando a necessidade de ações imediatas para a conservação da natureza. O documento foi publicado após uma série de encontros bilaterais, incluindo a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping, realizada em Pequim durante visita oficial do presidente brasileiro à China.
Na declaração, ambos os países reconhecem que o enfrentamento da crise climática é fundamental para a construção de um futuro de prosperidade compartilhada e equitativa. O texto enfatiza a importância de integrar medidas urgentes de combate às mudanças climáticas com a conservação ambiental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo a erradicação da pobreza e da fome, assegurando que ninguém seja deixado para trás.
Cooperação bilateral e compromissos ambientais
Brasil e China, que figuram entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo, comprometeram-se a ampliar, aprofundar e diversificar sua cooperação em temas relacionados ao clima. Entre as áreas destacadas estão a transição para uma economia de baixo carbono, energias renováveis, infraestrutura verde, mobilidade elétrica, inovação tecnológica e finanças sustentáveis. Os países também manifestaram intenção de colaborar para eliminar o desmatamento e a exploração ilegal de madeira, promovendo a aplicação efetiva de legislações específicas e o intercâmbio de tecnologias, como o satélite CBERS 6, para monitoramento florestal.
Cobrança aos países desenvolvidos e agenda internacional
A declaração conjunta aponta que os países desenvolvidos possuem responsabilidade histórica pelas emissões de gases do efeito estufa e devem liderar os esforços globais, especialmente no que diz respeito ao financiamento climático. Brasil e China expressaram preocupação com o descumprimento do compromisso de mobilizar US$ 100 bilhões anuais para apoiar medidas climáticas em países em desenvolvimento, meta estipulada desde 2009. Eles exortam que essa obrigação seja honrada e ampliada, com estabelecimento de uma nova meta coletiva que supere os valores atuais.
Além disso, os dois países destacaram a importância da governança global alinhada à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e ao Acordo de Paris, com metas para limitar o aumento da temperatura média global a níveis bem abaixo de 2ºC, buscando 1,5ºC. Apoiaram a candidatura do Brasil para sediar a COP30 em 2025, evento considerado crucial para a continuidade das ações climáticas globais.
Por fim, foi anunciada a criação de um Subcomitê de Meio Ambiente e Mudança Climática, sob o Comitê de Coordenação e Cooperação de Alto Nível China-Brasil (COSBAN), com o objetivo de fortalecer o diálogo político e o intercâmbio de experiências sobre investimentos e finanças climáticas.
