PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Brasil

Condições precárias marcam a permanência de venezuelanos em acampamentos na fronteira de Roraima

Na cidade de Pacaraima, localizada na fronteira entre Brasil e Venezuela, centenas de venezuelanos vivem em acampamentos improvisados às margens da rodovia BR-174. Segundo dados da prefeitura local, cerca de 1,5 mil imigrantes encontram-se em situação de rua, o que corresponde a aproximadamente 22% da população da cidade, estimada em 15 mil habitantes.

As famílias que vivem nesses acampamentos utilizam barracas de camping e construções precárias feitas com lonas, madeira e papelão, protegidas por plásticos para amenizar as condições climáticas adversas, como as chuvas frequentes e as temperaturas que podem chegar a 16ºC durante a madrugada. A carência de infraestrutura adequada compromete o acesso a higiene e alimentação, dependendo em grande parte de doações da comunidade local.

Perfil dos imigrantes e desafios enfrentados

Entre os imigrantes está Angélia Aguilera, jovem de 18 anos que, junto com o marido e o filho de um ano, reside em situação de rua desde que chegou ao Brasil há um mês. Originária de Maturin, na Venezuela, a família busca melhores condições diante da crise econômica e social que afeta o país vizinho, marcada pela escassez de alimentos, medicamentos e oportunidades de trabalho.

Outro exemplo é Luiz Sereño, de 20 anos, que expressa gratidão ao Brasil pela acolhida, simbolizada pelas bandeiras brasileiras fixadas na barraca onde vive. Ele trabalha lavando carros em Pacaraima e envia parte do dinheiro para a filha que permanece na Venezuela.

Ações governamentais e panorama migratório

Frente ao aumento expressivo no número de solicitações de refúgio — mais de 16 mil nos primeiros seis meses do ano, um crescimento de 20% em relação a 2017 — o governo federal, por meio da Força Tarefa Logística Humanitária, está implementando um novo abrigo denominado BV8, com capacidade para 500 pessoas, destinado a imigrantes não indígenas.

Atualmente, o estado de Roraima dispõe de dez abrigos públicos que atendem aproximadamente 4,6 mil pessoas, e opera o processo de interiorização, que redistribui imigrantes para outras regiões do país. Apesar dessas medidas, a presença de venezuelanos em situação de rua persiste em diversos municípios, evidenciando a complexidade da crise migratória na região.