Pesquisadores do Projeto Tubarões e Raias, em parceria com o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), implementaram um estudo na Baía do Sueste, em Fernando de Noronha, para entender o comportamento dos tubarões-tigre na área. O método emprega uma réplica de tartaruga marinha, feita em espuma vinílica acetinada e no tamanho aproximado de uma tartaruga juvenil, como isca para observação dos animais.
O uso da tartaruga artificial, inserida no mar desde fevereiro, permite aos cientistas analisar a aproximação dos tubarões, estimar características como tamanho, sexo e marcas individuais, além de identificar se os mesmos indivíduos retornam à região. A iniciativa inclui também o monitoramento por imagens aéreas captadas por drone, ampliando o alcance da pesquisa sem interferir no ambiente natural.
Contexto e objetivos do monitoramento
Desde janeiro do ano anterior, o banho na Baía do Sueste está proibido após um incidente envolvendo um ataque de tubarão a uma criança. Diante desse cenário, o estudo busca fornecer dados científicos que possam auxiliar o ICMBio na definição das normas de visitação e manejo da área, garantindo a segurança dos visitantes e a preservação dos animais.
Segundo a coordenadora do projeto, bióloga Bianca Rangel, a análise do padrão de mordida na isca artificial poderá revelar detalhes sobre a forma de predação do tubarão-tigre e permitir comparações com comportamentos registrados em outras regiões do mundo. O monitoramento também visa confirmar a importância da visão na identificação das presas pelos tubarões, uma vez que a réplica possui o formato característico da tartaruga, ainda que não seja uma tartaruga real.
Relação entre tubarões-tigre e tartarugas marinhas
Os pesquisadores destacam que o período atual coincide com a reprodução das tartarugas marinhas, época em que os tubarões-tigre tendem a frequentar Fernando de Noronha com maior intensidade, dado que as tartarugas fazem parte de sua cadeia alimentar. O documentarista e integrante do projeto, Fábio Borges, ressalta que incidentes envolvendo tubarões e humanos na região geralmente resultam de equívocos na identificação da presa pelo animal, caracterizando mordidas exploratórias e não ataques predatórios.
O coordenador do ICMBio para Pesquisa, Monitoramento e Manejo, Ricardo Araújo, reforça que pesquisas que ampliem o conhecimento sobre a fauna local, sem colocar em risco nem os animais nem os visitantes, são essenciais para o aprimoramento das estratégias de conservação e gestão da área.
