Durante o VIII Congresso Internacional de Oncologia D’Or, realizado recentemente no Rio de Janeiro, foram discutidas as emergências cardiológicas associadas à quimioterapia e outras terapias oncológicas. Essas abordagens, embora eficazes contra o câncer, podem provocar efeitos adversos significativos no sistema cardiovascular, demandando uma atuação integrada entre especialistas.
Os quimioterápicos, especialmente a doxorrubicina, e as terapias-alvo direcionadas às células tumorais, apresentam potencial cardiotóxico, podendo levar à insuficiência cardíaca. Esse dano pode ser progressivo e, em muitos casos, inicialmente assintomático, sendo identificado apenas por meio de exames específicos, como o ecodopplercardiograma com Strain e a dosagem de enzimas cardíacas.
Além disso, tratamentos com imunoterapia também implicam riscos cardiovasculares, com sintomas como fadiga e dores musculares que merecem atenção especial nos primeiros meses de terapia. A colaboração entre oncologistas e cardiologistas deve ser estabelecida desde o diagnóstico para avaliar a necessidade de intervenções preventivas, incluindo o uso de medicamentos cardioprotetores, como beta-bloqueadores, com o objetivo de minimizar emergências clínicas.
As manifestações clínicas da cardiotoxicidade são variadas e incluem dispneia, arritmias, isquemia miocárdica, disfunção ventricular esquerda silenciosa, hipertensão arterial, doenças pericárdicas e eventos tromboembólicos. Em casos de emergência, pacientes oncológicos devem receber atendimento prioritário nas unidades de pronto-socorro.
Outras complicações graves discutidas incluem a síndrome da lise tumoral, que ocorre principalmente em pacientes com leucemia e se caracteriza por desequilíbrios eletrolíticos como hipercalemia e hiperfosfatemia, podendo causar arritmias, insuficiência renal e convulsões. Emergências endocrinológicas também são frequentes, afetando glândulas como tireoide, paratireoide, pâncreas e hipófise, especialmente em decorrência da imunoterapia.
Esses aspectos reforçam a importância do monitoramento contínuo e integrado dos pacientes oncológicos para garantir a detecção precoce e o manejo adequado das complicações associadas aos tratamentos.
