PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 15 de junho de 2026
Economia

IPCA de maio registra desaceleração, mas alimentos mantêm pressão sobre a inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, apresentou crescimento de 0,58% em maio, segundo dados divulgados pelo IBGE. Embora tenha ocorrido uma desaceleração em relação ao mês anterior, quando a inflação foi de 0,67%, o índice permanece acima da meta estabelecida pelo governo.

O grupo Alimentação e Bebidas foi responsável por quase metade do impacto no índice, com alta de 1,33% e contribuição de 0,29 ponto percentual para o IPCA. Os alimentos consumidos em domicílio tiveram aumento médio de 1,65%, com os maiores reajustes registrados na batata-inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,80%) e carnes (1,39%). Segundo o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, a elevação dos preços está associada à menor oferta desses produtos, além do aumento dos custos de transporte devido à alta dos combustíveis.

Em contraponto, alguns itens apresentaram redução nos preços, como o café moído, que caiu 2,38%, e as frutas, que tiveram recuo médio de 0,70%. O consumo fora do domicílio também encareceu, porém em ritmo mais moderado, com alta de 0,49% em maio, refletindo desaceleração nos custos de lanches e refeições em comparação a abril.

Setores com maior influência na inflação

Além da alimentação, os setores de Habitação e Saúde e Cuidados Pessoais também tiveram papel relevante na alta dos preços. A Habitação apresentou aumento de 1,22%, impactando o índice em 0,18 ponto percentual, principalmente devido ao reajuste nas tarifas de energia elétrica residencial, que subiram 3,67%. O IBGE ressalta que esse aumento decorre de reajustes em diversas capitais, além da vigência da bandeira tarifária amarela, que adiciona custo extra na conta de luz.

No segmento de Saúde e Cuidados Pessoais, a inflação foi de 0,90%, com destaque para o aumento nos preços de artigos de higiene pessoal (1,95%) e perfumes (4,42%). Os planos de saúde também tiveram reajuste médio de 0,50% no período.

Principais variações nos preços dos alimentos

O levantamento do IBGE indica que, entre os alimentos que mais encareceram, além da batata-inglesa e do tomate, destacam-se pepino (44,3%), morango (16,6%) e cenoura (8,93%). Por outro lado, os itens que mais reduziram de preço incluem abobrinha (-11,43%), laranja-lima (-9,87%) e diversos tipos de peixe, como cavala (-9,37%) e palombeta (-9,21%).

Esses movimentos refletem a dinâmica de oferta e demanda, sazonalidade e custos logísticos, que influenciam diretamente a composição do IPCA e, consequentemente, o custo de vida da população.