Um estudo nacional conduzido pelo Instituto IDEIA, em parceria com diversas organizações do terceiro setor, evidenciou que a educação é um fator decisivo para 7 em cada 10 brasileiros na escolha de candidatos nas eleições. A pesquisa “O que a população pensa sobre a educação 2026” revela que 80% dos entrevistados consideram a alfabetização infantil uma prioridade para os próximos governos estaduais.
Segundo especialistas, a ênfase na alfabetização reflete o reconhecimento da população sobre sua importância para o desenvolvimento escolar integral das crianças. Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, destaca que os planos de governo devem contemplar essa etapa para garantir aprendizagens futuras efetivas.
Valorização dos professores e formação docente
Além da alfabetização, a pesquisa aponta que mais da metade dos brasileiros (53%) considera essencial a melhoria dos salários e das condições de trabalho dos professores. A formação continuada dos docentes também aparece como prioridade para 37% dos entrevistados, reforçando a percepção de que a qualidade do ensino está diretamente relacionada à valorização e preparo dos profissionais da educação.
Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, ressalta que reconhecer o papel dos professores é fundamental para fortalecer as políticas educacionais e promover ambientes propícios para o aprendizado dos estudantes.
Investimentos em ensino técnico e desafios percebidos
Quase metade da população (48%) destaca a ampliação dos cursos técnicos como uma necessidade para ampliar oportunidades aos jovens, enquanto 47% reafirmam a alfabetização precoce como foco prioritário. Entretanto, a pesquisa também aponta que apenas um quarto dos brasileiros acredita que as crianças estão aprendendo a ler e escrever no ritmo adequado, e apenas 27% consideram que a escola pública prepara adequadamente os estudantes para o mercado de trabalho.
Educação em tempo integral: conhecimento e adesão
A modalidade de ensino em tempo integral tem ganhado relevância, embora o nível de informação sobre o tema seja desigual entre a população. Setenta e um por cento dos entrevistados afirmam ter ouvido falar do modelo, mas apenas 38% se consideram bem informados. Entre os que conhecem o modelo, 52% indicam que matriculariam ou já matricularam filhos em escolas de tempo integral, percentual superior ao de quem não conhece o sistema, em que apenas 33% manifestam interesse.
O interesse pela educação em tempo integral é maior entre as classes C, D e E, que também atribuem avaliações mais positivas ao modelo, reconhecendo benefícios como a redução do tempo de exposição às telas e à criminalidade, além da melhora na preparação para o ensino superior e o mercado de trabalho. A segurança familiar, por possibilitar que os responsáveis trabalhem com mais tranquilidade, é outro aspecto valorizado.
Avaliação geral da qualidade da educação pública
Quanto à qualidade das escolas públicas nos estados, 45% dos brasileiros avaliam como ótima ou boa, enquanto 17% consideram ruim ou péssima. Metade dos entrevistados percebeu melhora nos últimos quatro anos, mas 42% acreditam que os alunos não estão aprendendo o esperado para sua faixa etária. Esses dados indicam que a população reconhece fragilidades no sistema educacional e a necessidade de investimentos direcionados.
O levantamento, que ouviu 20 mil pessoas em todas as unidades da Federação, reforça a expectativa da sociedade por uma agenda educacional prioritária nos próximos governos, ressaltando o impacto que as políticas públicas podem ter na percepção dos eleitores.
