A Caatinga em Pernambuco abrange uma área aproximada de 8,28 milhões de hectares, porém apenas 219,6 mil hectares, cerca de 2,65%, estão sob regime de proteção integral. Esta proporção reduzida de áreas protegidas tem sido motivo de preocupação entre especialistas e ambientalistas, dado o papel fundamental dessas unidades para a conservação da biodiversidade e mitigação dos impactos ambientais no bioma.
Unidades de Conservação e sua Gestão
O estado conta com 13 Unidades de Conservação (UC) de proteção integral da Caatinga, distribuídas entre esferas federal, estadual e municipal. Essas áreas são regulamentadas pela Lei estadual 13.787/09, que classifica as UCs em cinco categorias, incluindo Estação Ecológica, Parque Estadual e Reserva Biológica, cada uma com restrições específicas quanto à visitação e uso dos recursos naturais.
A maior dessas unidades é a Estação Ecológica Serra da Canoa, localizada em Floresta, no Sertão pernambucano, com 7.598 hectares. Criada em 2012, sua finalidade é preservar espécies endêmicas e remanescentes florestais, com visitas restritas a fins científicos e educacionais. Próximo a essa área, o Parque Estadual Mata da Pimenteira, em Serra Talhada, protege um tipo raro de Caatinga arbórea, com vegetação mais densa e espécies de maior porte, sendo utilizado para pesquisa e atividades de educação ambiental.
Desafios na Conservação e Fiscalização
Apesar da existência dessas unidades, persistem problemas significativos como a caça ilegal, extração de madeira e presença de moradores em áreas protegidas. Na Estação Serra da Canoa, por exemplo, há relatos confirmados de caça de espécies nativas e ocupação irregular por cerca de 90 proprietários, o que dificulta a gestão da área e a implementação de planos de manejo eficazes.
A fiscalização é realizada pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), que enfrenta limitações de efetivo e recursos. Segundo o gerente das Unidades de Conservação da CPRH, a equipe de campo é reduzida, mas conta com suporte administrativo na sede em Recife. A atuação ocorre mediante denúncias, com apreensão de cargas e aplicação de multas que podem variar de R$ 50 a R$ 50 milhões, dependendo da gravidade das infrações, que podem incluir crimes ambientais com processos judiciais.
Impactos e Perspectivas para o Bioma
O desmatamento e a caça comprometem a integridade do bioma, afetando espécies ameaçadas e o equilíbrio ecológico regional. Espécies como aroeira, baraúna e umburana são especialmente visadas pela extração ilegal de madeira, muitas vezes destinada a carvoarias clandestinas. Pesquisadores destacam a necessidade de ampliar as áreas protegidas e fortalecer as políticas públicas, além de investir em gestão e diálogo com as comunidades locais para garantir a conservação efetiva da Caatinga.
Instituições de pesquisa e ambientalistas apontam que a Caatinga recebe menor atenção em termos de recursos e políticas ambientais, tanto em âmbito estadual quanto nacional. O fortalecimento das unidades de conservação, aliado a estratégias integradas de manejo e fiscalização, é considerado fundamental para preservar este bioma exclusivo do território brasileiro.
