PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Economia

Senador americano solicita redução nos preços de insumos agrícolas diante da concorrência brasileira

O senador republicano Chuck Grassley, representante do estado de Iowa e produtor rural, solicitou ao governo dos Estados Unidos ações para reduzir os custos dos insumos agrícolas, como sementes de milho e fertilizantes, utilizados pelos agricultores americanos. A reivindicação foi compartilhada pelo presidente Donald Trump em suas redes sociais na noite de 3 de setembro de 2026.

Grassley citou dados da National Corn Growers Association que indicam que os produtores nos Estados Unidos pagam cerca de 68% a mais pelas sementes de milho em comparação com os agricultores brasileiros. Segundo o senador, empresas americanas que atuam no setor de sementes, fertilizantes e produtos químicos oferecem esses insumos no Brasil com descontos significativos, o que gera uma disparidade competitiva no mercado global.

O Brasil é um dos principais concorrentes dos Estados Unidos na exportação de milho, especialmente no mercado chinês, onde ambos os países disputam a liderança. Conforme informações do Departamento de Agricultura dos EUA, os americanos ocupam a primeira posição nas exportações mundiais, seguidos pelos brasileiros.

Pressão por políticas de apoio ao setor agrícola

Produtores americanos, especialmente na região conhecida como Cinturão do Milho, que inclui Iowa, têm manifestado preocupação com o aumento expressivo dos custos de produção, agravado por fatores como conflitos no Oriente Médio e dificuldades logísticas. Ao mesmo tempo, os preços do milho e da soja permanecem baixos, impactando a rentabilidade do setor.

Além dos agricultores, pecuaristas também têm pressionado por medidas governamentais, diante do menor rebanho bovino dos últimos 75 anos, resultado de secas prolongadas e aumento nos custos de produção. Recentemente, o governo anunciou iniciativas para apoiar os pecuaristas, como crédito para pequenos frigoríficos, expansão de áreas de pastagem e incentivos para ampliar o consumo de carne nacional pelo governo federal.

Essas ações ocorreram após a implementação de cotas temporárias para importação de carne magra, com o objetivo de reduzir os preços internos, medida que gerou divergências entre produtores e o governo. A cota passou a valer em 1º de setembro e tem duração de 90 dias.