PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Economia

Valorização das cartas Pokémon impulsiona aumento de roubos em lojas no Reino Unido

O mercado de cartas colecionáveis de Pokémon tem registrado forte valorização nos últimos anos, especialmente após a pandemia de Covid-19, o que tem atraído não apenas colecionadores e investidores, mas também a atenção de criminosos. No Reino Unido, diversas lojas especializadas têm sido alvos de roubos caracterizados pelo método conhecido como “smash and grab”, que consiste em quebrar vitrines para subtrair rapidamente os produtos expostos.

Entre os estabelecimentos afetados está a Celestial Collectables, localizada em Warrington, no condado de Cheshire. O proprietário, Chris Grundy, relatou que o ataque durou poucos minutos, durante os quais os ladrões arrombaram a vitrine e reviraram o interior da loja, levando um estoque avaliado em aproximadamente 60 mil libras (cerca de R$ 370 mil). Ele enfatizou que os itens de maior valor estavam protegidos em cofre, mas que a perda ainda foi significativa para o negócio.

Casos semelhantes foram reportados em outras cidades, como Rugby, Bristol, Bournemouth, Peterborough e Nottingham, envolvendo prejuízos que variam entre dezenas e centenas de milhares de libras. A polícia local, em parceria com outras forças policiais do noroeste e de outras regiões do país, tem monitorado a situação para identificar os responsáveis e conter a escalada desses crimes.

Mercado e impacto dos roubos

As cartas de Pokémon são colecionadas há mais de três décadas, porém, o interesse e os preços dispararam com a popularização do comércio online. Leilões recentes movimentaram valores expressivos, como o realizado pela casa Stanley Gibbons Baldwins, que comercializou ativos relacionados a Pokémon por mais de 1,5 milhão de libras (aproximadamente R$ 9,4 milhões). Em casos excepcionais, cartas raras chegam a valores milionários, como a venda de uma carta ultrarrara de Pikachu por US$ 16,5 milhões (cerca de R$ 81 milhões) neste ano.

Especialistas do setor destacam que, embora nem todas as cartas alcancem preços elevados, o crescente interesse no mercado tem incentivado a ação de grupos criminosos que enxergam as lojas como alvos mais acessíveis em comparação a instituições financeiras ou joalherias. Roy Raftery, especialista da Stanley Gibbons Baldwins, ressaltou que muitos dos ladrões não compreendem o real valor dos itens subtraídos, mas reconhecem o potencial de lucro.

Reação da comunidade e medidas de segurança

Além do impacto econômico, os roubos têm causado reflexos na saúde mental dos proprietários e funcionários das lojas. Em Bristol, por exemplo, a Card Catcher Shop foi invadida no domingo de Páscoa, e o proprietário Sam Jackway relatou o estresse vivido durante e após o incidente, mesmo com perdas moderadas em valores.

Em resposta, comerciantes vêm reforçando os sistemas de segurança com equipamentos modernos, como detectores de movimento e câmeras de vigilância aprimoradas. A comunidade também tem demonstrado solidariedade, com doações de cartas e apoio na reconstrução dos estabelecimentos afetados, evidenciando o vínculo entre os envolvidos no segmento.

As autoridades continuam investigando os casos e recomendam que lojistas e colecionadores adotem medidas preventivas para proteger seus acervos diante do aumento da criminalidade associada ao mercado de cartas Pokémon.