PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Internacional

Declínio do apoio popular nos EUA ameaça continuidade da ajuda militar a Israel

O apoio dos cidadãos norte-americanos a Israel tem apresentado uma queda expressiva nos últimos anos, conforme apontam levantamentos recentes. Segundo dados do Pew Research Center, atualmente seis em cada dez americanos possuem uma visão desfavorável do país, um aumento de sete pontos percentuais em relação ao ano anterior e quase vinte desde 2022.

Este cenário reflete uma transformação na percepção pública sobre a relação especial entre os Estados Unidos e Israel, colocando em xeque o tradicional consenso bipartidário que sustenta a ajuda militar americana ao país do Oriente Médio. O declínio é particularmente acentuado entre os jovens e eleitores do Partido Democrata, grupo que se mostra mais crítico em meio às atuais operações militares na Faixa de Gaza, no Líbano e tensões envolvendo o Irã.

Impactos no cenário político e financeiro

O descontentamento público tem repercutido diretamente no ambiente político. Na votação recente de uma proposta para bloquear a venda de equipamentos militares a Israel, 40 dos 47 senadores democratas manifestaram apoio à medida, um aumento significativo em comparação com o ano anterior, quando apenas 15 parlamentares haviam se posicionado dessa forma. Esta movimentação ocorre em um contexto de pré-campanhas para as eleições de meio de mandato que definirão a composição do Congresso em novembro.

Além disso, candidatos democratas têm se afastado do Comitê de Assuntos Públicos Israelo-Americanos (AIPAC), tradicionalmente responsável por financiar campanhas pró-Israel. Entre as vozes que defendem a revisão do financiamento está Rahm Emanuel, ex-chefe de gabinete da Casa Branca e ex-prefeito de Chicago, que argumenta que a ajuda financeira direta dos contribuintes americanos, atualmente estimada em aproximadamente US$ 3,8 bilhões anuais, deve ser repensada diante das mudanças geopolíticas.

Propostas para recalibrar a relação EUA-Israel

Organizações como o think tank J Street, identificado com o progressismo, também têm defendido uma reavaliação da cooperação militar entre os dois países. A proposta inclui a gradual redução do apoio financeiro direto à venda de armamentos e a normalização da relação de segurança, tratando Israel como um aliado comum, sem privilégios exclusivos. Essa posição busca refletir, segundo a entidade, o sentimento predominante entre a comunidade judaica americana, que demonstra maior ceticismo em relação às políticas do governo israelense.

As pesquisas indicam que o desencanto com a postura de Israel e seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, tende a se manter, independentemente de mudanças futuras na liderança dos Estados Unidos e de Israel. Essa tendência pode influenciar significativamente a dinâmica da política externa americana e o formato da ajuda militar ao país do Oriente Médio nos próximos anos.