As autoridades de Hong Kong formalizaram acusações contra sete indivíduos e duas empresas em conexão com o incêndio ocorrido em novembro de 2025, considerado o mais letal na cidade em décadas. Entre as denúncias estão homicídio culposo, conspiração, lavagem de dinheiro, obstrução da justiça e evasão fiscal.
O incêndio atingiu sete edifícios residenciais do conjunto Wang Fuk Court, localizado no distrito suburbano de Tai Po, e resultou na morte de 168 pessoas. O complexo abriga aproximadamente 4,6 mil moradores distribuídos em oito torres com mais de 30 andares cada, totalizando cerca de dois mil apartamentos.
Os acusados desempenhavam diferentes funções no projeto de renovação do Wang Fuk Court. As empresas envolvidas são a consultoria responsável pelo projeto e a empreiteira principal. As audiências relacionadas ao caso foram agendadas para ocorrerem na tarde da última quarta-feira (10).
Investigação e medidas anteriores
Desde março, a polícia já havia efetuado a prisão de 38 pessoas sob suspeita de envolvimento em crimes relacionados ao complexo, incluindo homicídio culposo e fraude. Paralelamente, a Comissão Independente Contra a Corrupção deteve 23 pessoas por suspeitas de suborno e conspiração para fraude. Até o momento, nove indivíduos foram formalmente acusados.
Um comitê independente conduz uma investigação sobre as causas do incêndio, e seu representante legal, Victor Dawes, afirmou que houve falhas generalizadas nos sistemas de segurança contra incêndio, atribuídas principalmente a erros humanos.
Contexto do incêndio e segurança em Hong Kong
O fogo teve início por volta das 14h51 no horário local, com o Departamento de Bombeiros recebendo o chamado às 3h51 no horário de Brasília. A rápida propagação das chamas foi atribuída às telas de construção e andaimes de bambu utilizados nas obras de reforma no local. O alerta foi elevado ao nível 5, o mais alto da escala, mobilizando centenas de agentes de emergência e policiais.
Hong Kong possui histórico de incêndios graves em prédios residenciais. O incidente mais recente de grande impacto ocorreu em 1996, quando 41 pessoas morreram em decorrência de um incêndio causado durante reformas internas. Esse episódio motivou alterações nas normas de construção e segurança contra incêndios para edificações altas.
O uso de andaimes de bambu, tradicional na arquitetura local, vem sendo progressivamente reduzido, especialmente após 22 mortes de trabalhadores entre 2019 e 2024. Em 2026, pelo menos três incêndios envolvendo esse tipo de estrutura foram registrados, segundo associação de vítimas de acidentes industriais.
