A cidade austríaca de Braunau am Inn, localizada na fronteira com a Alemanha, inaugurou uma delegacia de polícia no edifício onde Adolf Hitler nasceu, em uma iniciativa para neutralizar o caráter simbólico do local e impedir que ele seja utilizado como ponto de encontro por grupos neonazistas. A nova unidade policial começou a funcionar em 22 de julho de 2026, após anos de discussões sobre o destino da casa geminada, que até 2017 abrigava uma instituição de caridade para pessoas com deficiência.
O governo austríaco desapropriou o imóvel e, em 2019, anunciou planos para sua reforma e redefinição de uso, com o objetivo explícito de dissociar o local da figura histórica de Hitler. Stephan Mlczoch, chefe do departamento de história do Ministério do Interior, afirmou que a medida visa eliminar o caráter mítico atribuído ao endereço, promovendo uma nova identidade para o prédio.
Antes da transformação, a única referência histórica no local era uma pedra na calçada, trazida do campo de concentração de Mauthausen, com a inscrição “Fascismo nunca mais”, sem menção direta a Hitler. Atualmente, a fachada do edifício exibe apenas a palavra “Polizei” (polícia em alemão), simbolizando a presença do Estado e o repúdio ao culto à personalidade que o local carregava durante o regime nazista, quando foi convertido em museu de arte.
O ministro do Interior, Gerhard Karner, ressaltou que a polícia federal austríaca representa os valores da democracia e do Estado de Direito, em oposição à ideologia associada ao local. Embora a mudança tenha recebido apoio da maioria dos moradores, também enfrenta críticas de grupos de sobreviventes do Holocausto, que consideram a instalação inadequada e defendem maior ênfase na memória dos crimes cometidos durante o nazismo.
Autoridades locais informam que os incidentes envolvendo visitantes neonazistas tornaram-se menos frequentes e destacam a proibição de símbolos e gestos nazistas no país. O prefeito Johannes Waidbacher afirmou que a população de Braunau tem aceitado a mudança, apesar de divergências sobre o uso anterior do imóvel. A iniciativa busca, sobretudo, transformar um espaço historicamente carregado em um símbolo da rejeição ao extremismo e da promoção da ordem pública.
