PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO quinta-feira, 23 de julho de 2026
Brasil

Registro de Golfinhos-Pintados em Fernando de Noronha Amplia Conhecimento Sobre Fauna Marinha Local

Um grupo de golfinhos-pintados-pantropicais (Stenella attenuata) foi observado na área conhecida como mar de dentro, entre a Praia da Cacimba do Padre e a Baía de Santo Antônio, em Fernando de Noronha. Esse registro é considerado inédito para o período chuvoso no arquipélago, onde a espécie mais comum é o golfinho-rotador (Stenella longirostris).

O avistamento foi inicialmente feito por um grupo de pescadores, entre eles o marinheiro Ian Chacal, que relatou ter encontrado cerca de 30 indivíduos, predominantemente adultos, além de pelo menos dois juvenis. A confirmação foi posteriormente recebida pelo Projeto Golfinho Rotador, que monitora a fauna marinha local desde 1990, com apoio do Programa Petrobras Socioambiental.

Importância do Registro e Características do Habitat

O oceanógrafo José Martins, coordenador do projeto, explicou que Fernando de Noronha funciona como um oásis oceânico, propiciando condições ideais para a presença de espécies pelágicas devido às suas águas protegidas de ventos e correntes, bem como às regiões profundas denominadas “paredes”. Essas características facilitam o avistamento e estudo de cetáceos como os golfinhos-pintados-pantropicais.

Apesar de não ser a espécie mais frequente no arquipélago, o golfinho-pintado-pantropical é a quinta espécie de cetáceo mais observada, atrás do golfinho-rotador, da baleia-jubarte, do golfinho-nariz-de-garrafa e da baleia-piloto.

Interações e Possibilidades de Hibridização

O Projeto Golfinho Rotador também identificou, em 32 ocasiões, grupos mistos de golfinhos-rotadores e golfinhos-pintados na região do mar de fora, voltada para a África, possivelmente como estratégia de proteção e alimentação. Pesquisas indicam que essas espécies são geneticamente próximas, o que levanta a hipótese de hibridização entre elas.

Um exemplo citado por Martins é o de um golfinho presumivelmente híbrido avistado pela primeira vez ainda filhote em 2000, com registros subsequentes até 2002. Esses dados reforçam a complexidade das interações entre as espécies no entorno do arquipélago.

O monitoramento contínuo realizado pelo projeto é fundamental para aprofundar o conhecimento sobre a diversidade e o comportamento dos cetáceos em Fernando de Noronha, contribuindo para a conservação e manejo sustentável da região.