O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, ampliou recentemente seu acervo com a inclusão do meteorito Santa Filomena, o primeiro fragmento espacial recuperado no Brasil desde o incêndio que atingiu a instituição. Com aproximadamente 2,8 quilos, a peça é de grande relevância científica por sua idade estimada em 4,56 bilhões de anos, anterior até mesmo aos primeiros registros fósseis da Terra.
O meteorito é composto por poeira cósmica que passou por processos de derretimento devido às altas temperaturas próximas à jovem estrela que se formava — o Sol. Contudo, alguns grãos primordiais se mantiveram preservados, incorporados ao meteorito, e guardam informações sobre estrelas que precederam o nosso sistema solar.
Origem e trajetória até a Terra
O Santa Filomena se originou no cinturão de asteroides, região entre Marte e Júpiter conhecida por abrigar inúmeros corpos rochosos. Em 19 de agosto de 2020, o meteorito entrou na atmosfera terrestre em alta velocidade, cerca de 54 mil quilômetros por hora, e atingiu o telhado de uma residência na cidade de Santa Filomena, Pernambuco. A pedra foi encontrada por uma moradora local e posteriormente estudada pelas pesquisadoras Elizabeth Zucolotto e Amanda Tosi, que garantiram sua preservação no Museu Nacional.
Características e importância mineralógica
Análises laboratoriais confirmaram não apenas a idade do meteorito, mas também a presença de minerais incomuns na Terra, como a troilita, um composto extraterrestre. A superfície da pedra apresenta sinais típicos de sua passagem pela atmosfera, incluindo uma crosta escurecida devido ao atrito, microerosões chamadas regmaglitos, linhas de fluxo que indicam o caminho da incandescência e uma fratura que revela um interior semelhante ao de rochas terrestres, provavelmente causada pelo impacto no telhado.
Desafios na identificação e preservação
A equipe responsável pela pesquisa ressalta a dificuldade em distinguir meteoritos verdadeiros de materiais terrestres, dado que a maior parte das supostas amostras são, na verdade, rochas locais. Para isso, foi cunhado o termo “menteorito” para designar esses falsos meteoritos. A rápida recuperação do Santa Filomena após sua queda foi fundamental para evitar a degradação causada por fatores ambientais como chuva e erosão, garantindo assim a integridade do fragmento para estudos futuros.
Com sua incorporação ao Museu Nacional, o Santa Filomena representa uma valiosa fonte de conhecimento sobre os processos iniciais de formação do sistema solar e contribui para a preservação da memória científica no Brasil.
