O governo brasileiro divulgou nesta terça-feira (2) uma nota oficial em resposta à proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. A nota expressa indignação diante da conclusão preliminar de uma investigação que aponta supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil, classificando a medida como injustificável e politicamente motivada.
Segundo o comunicado, a investigação, iniciada em julho de 2025, teria sido provocada por interesses ligados à família Bolsonaro, que, segundo o texto, teriam atuado contra os interesses nacionais em articulações externas. O governo brasileiro lamenta que esforços diplomáticos e negociações conduzidas pessoalmente pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump tenham sido prejudicados por essas ações.
Contexto econômico e impactos das tarifas
O documento apresentado pelo governo destaca dados do Bureau of Economic Analysis que apontam um superávit comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços no período de 2011 a 2025. Em 2025, 76% das importações americanas entraram no Brasil sem incidência de tarifas, e a alíquota média efetiva aplicada sobre produtos dos EUA foi de apenas 3,1%. O governo ressalta que as tarifas unilaterais têm causado danos à economia brasileira, prejudicando a geração de empregos e a relação comercial bilateral.
No primeiro trimestre de 2026, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras atingiu o menor patamar histórico, totalizando 9,4%. Em resposta, o Brasil reafirma o compromisso com as negociações tarifárias em andamento, com previsão de encerramento da investigação da Seção 301 até 15 de julho, buscando evitar a imposição das medidas.
Medidas e argumentos do governo brasileiro
O governo brasileiro informa que continuará o diálogo com o setor privado e se reserva ao direito de adotar medidas recíprocas amparadas pela Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, para proteger os interesses nacionais. A nota também detalha os argumentos apresentados ao USTR, ressaltando que a política comercial brasileira é equitativa e em conformidade com normas internacionais, destacando aspectos como o tratamento igualitário no comércio digital, a abertura do Programa Nacional de Biocombustíveis a produtores estrangeiros, e o compromisso com a redução do desmatamento.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, em coletiva de imprensa, qualificou a proposta americana como injusta e enfatizou a importância do PIX como uma infraestrutura pública e gratuita de pagamentos instantâneos, reconhecida como uma conquista da população brasileira.
