Com a estreia do Brasil na Copa do Mundo marcada para o sábado (13), os símbolos nacionais, como a camisa da Seleção Brasileira, tornaram-se elementos centrais em uma disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República.
Flávio Bolsonaro convocou seus apoiadores, em evento no Pará, a vestirem a chamada “camisa do Bolsonaro” durante os jogos do Mundial, associando o verde e amarelo à sua base política. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o senador relacionou a bandeira nacional à direita e criticou o governo atual, afirmando que a gestão do PT teria abandonado os símbolos do país, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro teria resgatado o orgulho nacional.
Por sua vez, o presidente Lula defendeu que a esquerda também deve adotar as cores verde e amarela durante a Copa, para evitar que tais símbolos sejam apropriados por grupos que ele classificou como fascistas. Em post nas redes sociais, Lula publicou uma foto vestindo a camisa da Seleção, acompanhada da frase “o Brasil é dos brasileiros”, lema utilizado pelo governo para reafirmar a soberania nacional em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos.
Contexto político e simbólico
Especialistas apontam que o uso da camisa da Seleção funciona como um instrumento de mobilização política, especialmente em períodos eleitorais. Segundo o cientista político Murilo Medeiros, ao reforçar a identificação com as cores nacionais, Flávio Bolsonaro busca manter engajada a base bolsonarista e transmitir a continuidade do legado político do ex-presidente, com ênfase em valores conservadores e patrióticos.
O futebol, por sua natureza popular e capacidade de unir diferentes segmentos da sociedade, torna-se um terreno simbólico estratégico para ambos os campos políticos. Nenhum dos lados deseja abrir mão do vínculo com a camisa da Seleção, que nos últimos anos esteve associada a manifestações do bolsonarismo, mas que também é reivindicada pela esquerda como um símbolo nacional.
Além dos aspectos simbólicos, o senador Flávio Bolsonaro também comentou sobre questões sociais, mencionando que muitos brasileiros devem acompanhar os jogos em casa devido ao medo da violência, o que acrescenta uma dimensão social ao debate em torno do Mundial.
