Um hospital em Milão iniciou testes com o robô humanoide denominado Alter-Ego, projetado para interagir com pacientes e colaborar com as equipes de saúde na realização de tarefas rotineiras. O equipamento, que mede cerca de 1,2 metro e possui expressivas sobrancelhas, tem como objetivo principal reduzir a carga de trabalho dos profissionais, ao assumir funções básicas, porém essenciais.
O Alter-Ego é capaz de desempenhar diversas atividades, como representar um médico em atendimentos remotos, entregar objetos como garrafas de água e acompanhar pacientes até salas de tratamento. No Hospital Maugeri, um dos pacientes, Daniel Senna, utiliza uma tela no peito do robô para indicar seu nível de dor, informação que é imediatamente encaminhada para a equipe de enfermagem.
Aplicação em pacientes com esclerose lateral amiotrófica
Desde abril, o robô está em fase de testes em um setor voltado ao atendimento de pessoas com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que afeta a motricidade. Inicialmente, havia preocupação sobre a aceitação dos pacientes, mas a recepção foi positiva, conforme relato do diretor do departamento de reabilitação neuromotora do hospital, Christian Lunetta. Ele ressaltou que o robô desperta curiosidade e apresenta potencial para uma ampla gama de usos no ambiente hospitalar.
Desenvolvimento e perspectivas futuras
O projeto é uma colaboração entre o Instituto Italiano de Tecnologia e a Universidade de Pisa. Atualmente, o Alter-Ego é operado remotamente, mas a partir de julho está previsto que funcione de maneira autônoma. Segundo Manuel Catalano, do Instituto Italiano de Tecnologia, o objetivo do experimento é compreender os limites da atuação do robô em ambiente hospitalar, incluindo a interação com pacientes e profissionais de saúde.
Além do uso hospitalar, há perspectivas para que o robô auxilie pacientes e cuidadores em residências. A neurologista Rachele Piras destacou que, apesar da capacidade do robô, a administração de medicamentos não está entre as funções delegadas a ele. Ainda assim, o Alter-Ego pode contribuir para que os pacientes façam solicitações diretamente ao robô, aliviando o trabalho dos cuidadores e permitindo que os profissionais humanos foquem mais na relação direta com os pacientes.
