PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO terça-feira, 21 de julho de 2026
Brasil

Estudos destacam benefícios do contato com a natureza e socialização para o bem-estar dos idosos

Pesquisadores de universidades dos Estados Unidos e Taiwan investigaram os impactos do contato regular com ambientes naturais no bem-estar de pessoas com mais de 65 anos. O estudo revelou que os benefícios físicos e psicológicos são potencializados quando os idosos associam a vivência na natureza a atividades que envolvem relações sociais.

Experiência sensorial e sentido de propósito

Inspirado no conceito japonês de shinrin-yoku, ou “banho de floresta”, o estudo enfatiza a importância de uma imersão sensorial completa no ambiente natural, que inclui ouvir sons da fauna, sentir aromas e tocar a vegetação. Não é necessário esforço físico intenso; o simples ato de estar presente e conectado ao ambiente já promove efeitos positivos.

Em Taiwan, a pesquisa focou frequentadores habituais de uma área de preservação ambiental, constatando que aqueles que compartilhavam suas experiências com amigos e participavam de grupos sociais relataram maior sensação de propósito e significado na vida.

Implicações para políticas públicas

John Dattilo, professor da Penn State e um dos autores do estudo, destaca a necessidade de políticas públicas que facilitem o acesso dos idosos a espaços naturais. Segundo ele, barreiras como distância, falta de transporte e dificuldades de mobilidade impedem muitos idosos de usufruir desses ambientes, o que pode ser mitigado por iniciativas governamentais que promovam transporte e atividades em grupo.

O estudo também avaliou outras formas de socialização comuns na Ásia, como dança e karaokê, mas concluiu que o contato com a natureza oferece benefícios superiores em termos de bem-estar.

Socialização e longevidade

Complementando esses achados, uma pesquisa com 28 mil idosos chineses, publicada no “Journal of Epidemiology & Community Health”, analisou a relação entre engajamento social e taxas de mortalidade. O estudo acompanhou participantes na faixa dos 80 anos por cinco anos, identificando que a frequência em atividades coletivas está associada a uma redução significativa na mortalidade, reforçando o papel da interação social para a longevidade.