PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO terça-feira, 21 de julho de 2026
Brasil

Integração entre oncologia e cardiologia é essencial para manejo de efeitos adversos da quimioterapia

Durante o VIII Congresso Internacional de Oncologia D’Or, realizado recentemente no Rio de Janeiro, foram abordadas as emergências cardiológicas associadas ao tratamento oncológico, com ênfase nos riscos da cardiotoxicidade provocada por quimioterápicos e imunoterapias.

Medicamentos utilizados no combate ao câncer, como a doxorrubicina, são reconhecidos por seus efeitos cumulativos que podem comprometer o músculo cardíaco, resultando em insuficiência cardíaca. Essa condição, conhecida como cardiotoxicidade, pode se manifestar de forma silenciosa, sendo detectada apenas por exames específicos como o ecocardiograma com Strain e a dosagem de enzimas cardíacas.

Parceria multidisciplinar para prevenção e monitoramento

O cardiologista Henry Najman ressaltou a necessidade de uma colaboração estreita entre oncologistas e cardiologistas desde o momento do diagnóstico. Essa integração permite avaliar a indicação de terapias preventivas, incluindo o uso de medicamentos cardioprotetores como os beta-bloqueadores, com o objetivo de minimizar riscos e evitar situações emergenciais.

Quando ocorre uma emergência cardiológica, o paciente oncológico deve receber atendimento prioritário. Os sintomas que podem indicar complicações incluem falta de ar, arritmias, isquemia miocárdica, disfunção ventricular esquerda assintomática, hipertensão arterial, doença pericárdica e eventos tromboembólicos.

Outras complicações oncológicas

A síndrome da lise tumoral representa outra emergência frequente, especialmente em pacientes com leucemia, caracterizada por desequilíbrios eletrolíticos que podem desencadear arritmias, disfunção renal e convulsões. Além disso, tratamentos imunoterápicos podem levar a alterações endocrinológicas envolvendo tireoide, paratireoide, pâncreas e hipófise, conforme explicou a endocrinologista Ana O. Hoff, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

O acompanhamento clínico rigoroso e a atenção a sinais de alerta são fundamentais para garantir a segurança e o sucesso do tratamento oncológico, reforçando a importância da abordagem multidisciplinar na gestão desses pacientes.