Um projeto da Universidade Federal do Amapá (Unifap) busca ampliar a preservação dos patrimônios históricos ligados à Segunda Guerra Mundial no estado, propondo a transformação do Museu à Céu Aberto da Segunda Guerra Mundial em um parque histórico. A iniciativa pretende integrar locais importantes usados durante o conflito, que atualmente estão fora dos limites do museu.
O coordenador do Laboratório de História Militar da Unifap, Edinaldo Pinheiro, destacou que a área da Base Aeronaval de Amapá, construída em 1941 e com 623,34 hectares, abrigou militares norte-americanos e foi estratégica para o reabastecimento de aeronaves que seguiam para os Estados Unidos e a África. Além do museu, existem pontos relevantes como o porto de chegada de equipamentos e o local de atracação dos dirigíveis que necessitam de preservação.
Segundo Pinheiro, a base era parte da corrente de proteção no Atlântico contra ataques de submarinos alemães, conhecidos como U-Boats, que afundaram dois navios no litoral amapaense. O pesquisador também relatou que cerca de cinco aeronaves aliadas caíram no estado devido a condições climáticas adversas e dificuldades técnicas, ressaltando esforços para localizar e preservar esses locais históricos.
Além dos aspectos militares, o Amapá também recebeu a visita de pesquisadores da Alemanha nazista entre 1935 e 1937, durante a chamada “Expedição Jari”. O objetivo era estudar a região para possíveis colonizações na América do Sul. Um dos membros da expedição, Joseph Greiner, faleceu e foi sepultado em Laranjal do Jari. Atualmente, a cruz que marca sua sepultura está em processo de restauração.
A expedição durou cerca de dois anos e contou com cientistas de formação militar que investigaram a fauna, flora, minérios e a cultura indígena local, especialmente da tribo Aparai. Embora o projeto de colonização não tenha sido implementado, os registros coletados incluem fotos, filmagens e informações sobre mais de 500 espécies da região.
O projeto da Unifap busca, portanto, integrar essas diferentes dimensões históricas e ambientais em um espaço que valorize a memória da Segunda Guerra Mundial e a complexidade das relações internacionais e culturais na região do Amapá.
