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Brasil

ICMBio e Ibama realizam soltura de 2 mil caranguejos-uçá apreendidos no período de defeso no Amapá

Uma operação conjunta entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Amapá resultou na apreensão de uma embarcação com aproximadamente 2 mil caranguejos-uçá capturados durante o período de defeso. Os crustáceos foram posteriormente soltos na Estação Ecológica Maracá-Jipióca, localizada no litoral amapaense.

A abordagem ocorreu na madrugada do dia 26 de fevereiro no Rio Amazonas, quando os agentes federais encontraram 40 sacos contendo mais de 2 mil caranguejos vivos, totalizando cerca de 400 quilos. A captura irregular aconteceu nas proximidades da Reserva Biológica do Lago Piratuba, unidade de conservação de proteção integral na região.

Contexto do defeso e medidas de proteção

O defeso é um período em que a captura e comercialização do caranguejo-uçá são proibidas para garantir a preservação da espécie durante sua fase reprodutiva, conhecida localmente como “andada”. Durante essa época, os animais deixam suas tocas para acasalamento e liberação dos ovos nos manguezais. No Amapá, o defeso ocorre em datas específicas, incluindo o intervalo de 20 a 26 de fevereiro, com novas janelas previstas para março e abril.

De acordo com o ICMBio, o piloto da embarcação apreendida pretendia transportar os caranguejos para o Canal do Jandiá, em Macapá, com o objetivo de comercializá-los em feiras e restaurantes locais. A legislação vigente, incluindo portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), proíbe a captura, transporte, beneficiamento e comercialização da espécie durante o defeso em diversos estados da região Norte e Nordeste do Brasil.

Outras ações de fiscalização

Além da apreensão dos caranguejos, a operação também resultou na detenção de uma carga de 12,6 metros cúbicos de madeira de andiroba sem documentação legal, e na apreensão de peixes protegidos pelo defeso da pesca continental, como tambaqui e matrinchã. Essas medidas reforçam o monitoramento contínuo realizado pelos órgãos ambientais para coibir práticas ilegais que ameaçam recursos naturais na região.

As autoridades ambientais destacam a importância da colaboração da população para o cumprimento das restrições impostas durante os períodos de defeso, contribuindo para a conservação das espécies e a sustentabilidade dos ecossistemas locais.