O mercado financeiro brasileiro encerrou a última sexta-feira com variações negativas, influenciado principalmente pelo anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos e pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. O dólar comercial apresentou leve queda de 0,06%, cotado a R$ 5,0809, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, registrou recuo de 1,52%, fechando aos 174.042 pontos.
Novas tarifas dos EUA e impacto para o Brasil
Na quinta-feira, o governo norte-americano implementou tarifas adicionais entre 10% e 12,5% sobre importações provenientes de cerca de 60 países, incluindo o Brasil. A medida foi fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que aponta práticas comerciais desleais relacionadas à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. O Brasil foi enquadrado na alíquota mais alta, de 12,5%, por não ter adotado restrições consideradas suficientes pelos EUA.
O governo brasileiro contestou veementemente as acusações, ressaltando que seus processos de fiscalização e controle ambiental são rigorosos e que os argumentos americanos são improcedentes. Essa nova tarifa soma-se a uma sobretaxa de 25% já imposta em semanas anteriores sobre determinados produtos brasileiros, o que tem gerado pressão sobre setores exportadores e o governo para definir estratégias de resposta.
Contexto internacional e mercado de petróleo
As preocupações geopolíticas também marcaram o cenário, com ataques recentes a navios petroleiros no Mar Vermelho e confrontos militares contínuos entre Estados Unidos e Irã. Os Estados Unidos realizaram ataques a alvos iranianos por 13 noites consecutivas, elevando o nível de tensão na região. Além disso, aliados houthis do Irã no Iêmen declararam bloqueios navais contra a Arábia Saudita, ameaçando o fluxo global de petróleo por rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Esses fatores contribuíram para a queda nos preços do petróleo na sexta-feira, com o barril do Brent recuando 3,88%, a US$ 96,78, e o WTI caindo 3,12%, para US$ 89,31. A volatilidade no mercado energético impacta diretamente os mercados financeiros globais e a economia brasileira.
Outros indicadores e balanços corporativos
Além das tarifas e das questões geopolíticas, a temporada de balanços corporativos segue influenciando a dinâmica dos mercados. Na quinta-feira, as ações da Alphabet sofreram queda superior a 7% após a empresa anunciar aumento nos investimentos em inteligência artificial, ressaltando o custo elevado da expansão tecnológica. Na sexta, empresas como Dow, American Airlines, T-Mobile e Intel divulgaram seus resultados, atraindo atenção dos investidores.
Nos mercados internacionais, os índices americanos tiveram desempenho misto, com leve alta no Dow Jones e estabilidade no S&P 500, enquanto o Nasdaq recuou. Na Europa, as bolsas registraram avanços impulsionados pelo alívio nos preços do petróleo, ao passo que os principais índices asiáticos fecharam em queda, refletindo o cenário global de incertezas.
