Os senadores democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff encaminharam uma solicitação formal à Securities and Exchange Commission (SEC), agência reguladora do mercado financeiro dos Estados Unidos, para investigar o novo serviço da Trump Media, empresa controladora da plataforma Truth Social, que oferece acesso antecipado a publicações do presidente Donald Trump.
O produto, denominado Truth API, foi anunciado recentemente e promete fornecer a corretoras e outras instituições financeiras a possibilidade de acessar antes do público geral as postagens das dez contas mais influentes da rede social, incluindo a do presidente. A iniciativa tem gerado preocupações quanto à potencial violação das normas de transparência e equidade no mercado.
Implicações legais e éticas
Na carta enviada ao presidente da SEC, Paul Atkins, Warren e Schiff classificam a prática como um possível abuso da posição presidencial para ganho pessoal, o que poderia prejudicar investidores comuns e comprometer a integridade dos mercados financeiros. A expectativa é que a investigação avalie se a comercialização do acesso antecipado configura uso indevido de informação privilegiada.
Conforme reportagens, o serviço Truth API poderia ser vendido por valores que chegam a US$ 100 mil mensais, e já teria contratos fechados com clientes antes do lançamento oficial, previsto para o início de agosto. A velocidade no acesso às publicações pode favorecer fundos de hedge, corretoras e outras entidades que operam com base em informações de mercado.
Conflito entre interesses públicos e privados
Trump detém cerca de 41% da Trump Media por meio de um fundo familiar, o que implica que ele pode obter benefícios financeiros diretos com o novo modelo de negócio. Os senadores argumentam que, diferentemente de outras empresas de tecnologia que vendem dados, as publicações do presidente têm potencial conteúdo de interesse público vinculado ao exercício do cargo, o que demandaria divulgação ampla e simultânea para todos.
Além disso, Warren e Schiff destacam que Trump já utilizou a Truth Social para recomendar ações de empresas como Citigroup, Intel e Palantir, aumentando os riscos relacionados ao uso de informações privilegiadas e à confiança dos investidores na equidade do mercado.
Até o momento, a SEC confirmou o recebimento da carta, mas não se pronunciou sobre a investigação. A Trump Media também não respondeu aos pedidos de esclarecimentos encaminhados pela Casa Branca.
