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Brasil

Unicamp desenvolve sensor acessível para identificação precoce da Doença de Parkinson

Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram um sensor eletroquímico de baixo custo, projetado para detectar a concentração da proteína PARK7/DJ-1 no sangue, um biomarcador relacionado à Doença de Parkinson. O dispositivo utiliza tecnologia de impressão 3D para garantir facilidade de produção e potencial aplicação em larga escala.

O sensor é constituído por eletrodos impressos em plástico a partir de filamento de ácido polilático, com grafeno atuando como material condutor. Essa configuração permite mensurar diferentes níveis de concentração da proteína no plasma sanguíneo, incluindo 30, 40 e 100 microgramas por litro (μg/L), faixas relevantes para pacientes com Parkinson.

De acordo com o professor Juliano Bonacin, supervisor do estudo, o objetivo é criar um equipamento simples e acessível, semelhante ao funcionamento de um medidor de glicose, que possa ser utilizado para diagnóstico precoce e monitoramento da doença. O próximo estágio da pesquisa envolve a realização de testes clínicos em humanos, para o qual o grupo busca parcerias com instituições de ensino médico.

O desenvolvimento do sensor priorizou a replicabilidade, utilizando a impressão 3D como tecnologia amplamente disponível, o que facilita a produção em diversos laboratórios pelo país. A iniciativa visa também a criação de uma plataforma capaz de analisar múltiplos biomarcadores simultaneamente, ampliando o potencial diagnóstico para diferentes enfermidades.

A Doença de Parkinson, caracterizada pela degeneração das células produtoras de dopamina no sistema nervoso, compromete o controle dos movimentos, provocando sintomas como tremores, rigidez muscular e dificuldades na coordenação motora. Embora ainda não exista cura, tratamentos medicamentosos, cirúrgicos e multidisciplinares podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

O estudo contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e teve como autora principal a pós-doutoranda Cristiane Kalinke. A pesquisa foi divulgada na revista científica Sensors and Actuators B: Chemical em janeiro de 2023.