PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 30 de agosto de 2026
Economia

Chef René Redzepi retoma papel no Noma após denúncias de ambiente de trabalho abusivo

René Redzepi, chef dinamarquês fundador do renomado restaurante Noma, em Copenhague, anunciou seu retorno ao estabelecimento após um afastamento de menos de cinco meses. A decisão ocorre em meio a repercussões de denúncias de agressões e humilhações no ambiente de trabalho feitas por ex-funcionários, reveladas em reportagem do New York Times.

Em março, logo após as acusações, Redzepi renunciou ao comando da cozinha, assumindo publicamente a responsabilidade pelos relatos e pedindo desculpas por suas atitudes. Agora, ele retorna em uma nova função, deixando a liderança da cozinha para assumir o cargo de diretor criativo, conforme divulgado pelo The Wall Street Journal.

Segundo o próprio chef em publicação nas redes sociais, seu foco será direcionado a projetos de longo prazo relacionados à inovação e à tecnologia, incluindo o desenvolvimento de novos ingredientes como algas, leguminosas e fungos. Essa mudança marca o fim de mais de duas décadas à frente da cozinha do Noma.

Contexto das denúncias e impactos

A investigação do New York Times trouxe à tona relatos de uma cultura de trabalho marcada por abusos verbais e físicos, jornadas exaustivas que chegavam a ultrapassar 16 horas diárias e o uso intensivo de estagiários estrangeiros com baixa ou nenhuma remuneração. Ex-funcionários descreveram episódios em que o chef teria agredido membros da equipe, incluindo empurrões e socos motivados por erros menores.

Essas denúncias geraram consequências imediatas para o restaurante, incluindo o cancelamento de patrocínios importantes para uma temporada de jantares pop-up em Los Angeles. Empresas como American Express e a startup Blackbird retiraram seu apoio ao evento, comprometendo-se a reembolsar os clientes e a destinar os valores arrecadados a organizações que atuam na defesa dos direitos dos trabalhadores do setor gastronômico.