As eleições para o Congresso Nacional em 2026 registram 7.991 candidaturas, distribuídas entre as 513 vagas na Câmara dos Deputados e 54 no Senado, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa quantidade representa uma redução de 26,5% em relação a 2022, refletindo alterações na legislação eleitoral e a reorganização dos partidos políticos, incluindo a formação de federações.
Perfil das candidaturas e o impacto da cláusula de barreira
O Partido Liberal (PL) lidera em número de candidaturas tanto para a Câmara quanto para o Senado, com destaque para 535 candidatos à Câmara e 33 ao Senado. Em seguida, o partido Novo, que atualmente possui uma bancada reduzida, apresenta 505 candidatos para a Câmara e 15 para o Senado. Partidos do Centrão, como MDB e Republicanos, também concentram um grande número de candidaturas, somando cerca de 2,7 mil concorrentes.
Um fator determinante para o volume de candidaturas é a cláusula de barreira, que restringe o acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita para legendas que não alcançarem determinados critérios de votação. Para garantir a sobrevivência política, partidos menores estão ampliando suas candidaturas para obter o mínimo necessário de votos, mesmo que isso não resulte em eleitos. A cláusula exige a eleição de pelo menos 11 deputados federais em nove estados ou 2% dos votos válidos distribuídos em nove unidades federativas, com um mínimo de 1% em cada.
Estratégias diferenciadas para o Senado
No Senado, partidos menores como Unidade Popular (UP), Psol, Democracia Cristã (DC) e PSTU lançam numerosos candidatos, principalmente para compor chapas regionais vinculadas às disputas estaduais, mais do que com expectativa real de vitória. Por exemplo, UP tem 23 candidatos ao Senado, enquanto o Psol apresenta 21.
Já o PL adota uma estratégia distinta, priorizando a eleição para o Senado como chave para fortalecer sua bancada legislativa e avançar pautas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. A ausência de alianças sólidas em algumas regiões, especialmente na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), levou o partido a lançar mais candidaturas próprias para o Senado como forma de consolidar sua base eleitoral.
Redução histórica nas candidaturas e desafios para a representatividade feminina
O total de candidaturas para todos os cargos em 2026 é o menor desde 2006, com 20.621 registros. Entre as causas estão a limitação no número de candidaturas por partido, o fortalecimento das federações partidárias e a exigência legal de que pelo menos 30% das candidaturas sejam preenchidas por mulheres. Contudo, a baixa participação feminina nos quadros partidários ainda representa um desafio, apontado por especialistas como um problema estrutural relacionado à formação política e à baixa priorização do tema pelos partidos.
