PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Economia

Trajetória de Sophia Amoruso: do crescimento acelerado da Nasty Gal à falência e reestruturação da marca

Sophia Amoruso iniciou sua carreira no comércio eletrônico vendendo roupas vintage no eBay, após passar por dificuldades pessoais e econômicas. Em 2006, motivada pelo desejo de evitar o modelo tradicional de trabalho, ela fundou a Nasty Gal, marca que rapidamente se destacou no mercado americano de moda.

O crescimento da empresa foi acelerado: em 2012, a Nasty Gal foi reconhecida como a varejista que mais cresceu nos Estados Unidos, alcançando receita superior a US$ 100 milhões. A marca ganhou notoriedade ao propor um estilo alinhado à cultura urbana e ao empoderamento feminino, consolidando uma base fiel de clientes.

Expansão e desafios financeiros

Com o aumento do faturamento, a Nasty Gal atraiu investimentos de fundos de capital de risco, chegando a ser avaliada em US$ 350 milhões e captando US$ 50 milhões para expansão. No entanto, a rápida escalada expôs fragilidades na estrutura interna da empresa, que não conseguiu sustentar a operação diante das demandas crescentes.

Entre 2014 e 2015, a receita da empresa caiu significativamente, levando à troca da direção executiva e a cortes de pessoal. A busca por soluções para manter a operação culminou na decisão de declarar falência, após constatar a incapacidade de honrar compromissos financeiros com fornecedores.

Venda da marca e novos projetos

Em 2017, o grupo britânico Boohoo adquiriu os ativos intelectuais da Nasty Gal, incluindo nome, logotipo e base de clientes, mas não assumiu as operações ou responsabilidades legais anteriores. Após a venda, Sophia Amoruso direcionou sua atuação para a mídia e o investimento, fundando a Girlboss Media e posteriormente um fundo de capital de risco focado em empreendedoras.

A trajetória de Amoruso evidencia os desafios do crescimento rápido em setores de moda digital e o impacto das decisões de investimento na sustentabilidade das empresas. Sua experiência também reflete o surgimento de novas formas de empreendedorismo feminino e a importância da gestão alinhada entre fundadores e investidores.