Na noite do último sábado, um adolescente de 16 anos foi encontrado morto no Centro Socioeducativo Homero de Souza Cruz Filho, em Boa Vista, vítima de um assassinato com características de extrema violência. O jovem, identificado como Paulo Henrique Medeiros Soares, foi decapitado e esquartejado dentro de um dos quartos da instituição.
De acordo com informações do Comando de Policiamento da Capital (CPC), a ação foi praticada por internos ligados a uma facção criminosa. O crime ocorreu sem confronto direto ou feridos entre os demais internos. Segundo o coronel Elias Santana, os autores teriam executado o ato em um ritual, que envolveu cantos e palmas, manifestando a intenção de punição dentro do contexto do ambiente socioeducativo.
Contexto da rivalidade e medidas de segurança
O adolescente havia sido apreendido poucos dias antes, após ser detido por roubo de um aparelho celular no bairro São Vicente. Inicialmente, ele teria se declarado integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), mas, conforme relato de servidores da unidade, uma tatuagem o identificava como membro do grupo rival, o Comando Vermelho (CV). Essa identificação teria motivado o homicídio.
O Centro Socioeducativo mantém desde o ano anterior uma política de separação entre internos de facções rivais para evitar confrontos. No entanto, a unidade enfrenta uma situação delicada de segurança, agravada por rebeliões recentes e pela necessidade de reformas emergenciais. Em julho, cerca de 20 internos chegaram a ser realocados temporariamente para veículos do sistema penitenciário devido à destruição de parte das instalações.
O corpo da vítima foi recolhido pelo Instituto Médico Legal, e cerca de 15 adolescentes que estavam no mesmo quarto foram encaminhados à Central de Flagrantes para apuração dos fatos. Esta é a segunda morte registrada no Centro Socioeducativo neste ano, evidenciando a complexidade dos desafios enfrentados na gestão da unidade e no controle da influência das facções dentro do sistema socioeducativo.
